O júri popular que começou na tarde de ontem, quinta-feira (2), e terminou na madrugada desta sexta-feira, 3, no fórum de Ourinhos, condenou o policial Luís Paulo Isidoro a 14 anos de prisão em regime fechado pela morte do jovem Brian Bueno da Silva de 22 anos, ocorrida em 2016. A sentença foi proferida pela juíza Doutora Raquel Grellet Pereira após as falas de quatro testemunhas de acusação, cinco de defesa e uma arrolada por ambas as partes. O júri terminou por volta das 4h.
O policial ainda poderá recorrer da condenação. Luís Paulo Isidoro foi acusado de ter disparado contra o jovem Brian Bueno da Silva durante uma abordagem policial em Ourinhos, no dia 9 de junho de 2016, quando ele saía de um show da FAPI (Feira Agropecuária e Industrial de Ourinhos).

O jovem teria brincado, ao pegar um cone que fazia a sinalização da Avenida Jacinto Sá, antes de ser vítima do disparo (Foto: Arquivo Pessoal)

Muito emocionada, a mãe de Brian, dona Valdineia Pontes, acompanhou o júri (Foto: Laperuta Junior)
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento do disparo. Brian estava com mais quatro amigos no carro na Avenida Jacinto Ferreira de Sá, quando o motorista foi parado pela PM. O tiro saiu da arma de Luís Paulo e nas imagens dá pra ver o clarão do disparo. Tudo aconteceu muito rápido.
Na época, o policial alegou que o tiro foi acidental, causado por uma falha na arma. Ele repetiu o mesmo argumento, citando o fato de que a fabricante da arma, a empresa Taurus, teve que recolher todos os modelos da pistola que usava no fato e recebeu várias punições. Ainda segundo Luís Paulo Isidoro, a arma disparou no momento em que ele fez um movimento brusco, pois Brian teria mexido o braço em sua direção, lhe dando a impressão de que poderia estar querendo retirar a arma do policial.
“Eu entendo a dor, também sou pai, o jovem foi vítima, mas eu também fui vítima da Taurus", declarou o policial em seu depoimento.
O policial Luís Paulo Isidoro foi condenado a 14 anos de prisão (Foto: Arquivo Pessoal)
Os amigos de Brian, no entanto, afirmaram que no momento da abordagem eles já estavam indo embora, voltando para Santa Cruz do Rio Pardo. Mas a PM parou o carro porque, segundo os policiais, o veículo estava andando em zigue-zague na avenida.

Foto mostra a marca da bala no cinto de segurança do veículo. Testemunhas disseram que o policial havia segurado a camiseta de Brian, mas o pm negou, dizendo que, com a mão esquerda tentava abrir a porta e se estivesse segurando a camiseta do jovem, a sua mão teria sido atingida pelo disparo.
Durante a investigação, a Polícia Civil disse que a Polícia Militar agiu com intenção de interferir no trabalho de apuração, tentando apagar o vídeo usado como prova, lavando o carro antes da análise da perícia e ameaçando testemunhas, mas o comando da PM, na ocasião, disse que isso não aconteceu.
Luís Paulo Isidoro foi afastado das ruas desde então e continuou trabalhando internamente, segundo o batalhão da PM de Ourinhos. Ele foi transferido do local, mas não informaram onde ele está atuando.
A defesa do policial reforçou que o disparo foi acidental por defeito na arma comprovado por perícia de um armeiro designado pela PM em uma audiência realizada no Fórum sob a presença da juíza que cuida do caso. A defesa disse ainda que Luís Paulo Isidoro inclusive foi absolvido no processo instaurado na Polícia Militar por comprovada falha na arma.
Relembre uma matéria que foi ao ar na época:






