Mistério em Barueri: Furto de 21 metralhadoras do Exército intriga autoridades

480 militares estão retidos e são ouvidos.
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Um caso intrigante chama a atenção em Barueri, na Grande São Paulo, onde 21 metralhadoras desapareceram do quartel local, desencadeando uma operação que envolve centenas de militares. O Exército enviou uma comitiva de Brasília para auxiliar na investigação do furto, que envolve a retenção de cerca de 480 militares no Arsenal de Guerra de Barueri desde a última terça-feira, 10, quando a inspeção interna apontou o sumiço das armas.

Embora os militares estejam impossibilitados de voltar para casa e tenham seus celulares confiscados, o Exército não considera a medida uma prisão. A retenção é vista como necessária para tentar localizar e recuperar o armamento, que inclui 13 metralhadoras calibre .50, com capacidade de derrubar aeronaves, e oito metralhadoras calibre 7,62.

O general Achilles Furlan Neto, chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército (DCT) em Brasília, lidera as investigações em colaboração com os comandantes do Comando Militar Sudeste (CMSE) em São Paulo. O desaparecimento das armas gera especulações sobre possíveis falhas na segurança do Arsenal de Guerra ou se há envolvimento de militares no furto.

A Polícia Civil e a Polícia Militar do estado de São Paulo estão auxiliando nas investigações, realizando buscas na tentativa de encontrar as metralhadoras. O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, expressou preocupação com o potencial risco à população caso as armas caiam nas mãos do crime organizado, podendo ser utilizadas em ações de grande periculosidade, como roubos a carros-fortes e ataques à população.

Publicação do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, sobre furto de armas no Exército — Foto: Reprodução/Redes Sociais

A metralhadora calibre .50 é capaz de disparar 600 tiros por minuto e atingir alvos a distâncias superiores a 3 quilômetros. Além de servir como defesa antiaérea, terrestre e naval, quando desviada, é frequentemente utilizada por quadrilhas especializadas em ações violentas, como roubos a carros-fortes, em uma prática conhecida como 'Novo Cangaço'. O estado de São Paulo já registrou casos similares em cidades pequenas, com criminosos armados com metralhadoras .50 em veículos adaptados.

Metralhadora .50, de uso restrito das Forças Armadas — Foto: Arte g1

Até o momento, não há suspeitos identificados ou presos, e nenhuma das metralhadoras foi recuperada. O desaparecimento do armamento representa o maior desvio de armas de uma base do Exército brasileiro desde 2009, quando sete fuzis foram roubados de um batalhão em Caçapava, interior de São Paulo. Naquela ocasião, a polícia conseguiu recuperar todas as armas e prender suspeitos, incluindo um militar envolvido no crime.

Veja abaixo a íntegra da nota do Comando Militar do Sudeste sobre o caso do furto do armamento em Barueri:

"O Comando Militar do Sudeste informa que, no dia 10 de outubro de 2023, em uma inspeção do Arsenal de Guerra de São Paulo, foi verificada uma discrepância no controle de 13(treze) metralhadoras calibre.50 e 8 (oito) de calibre 7,62, armamentos inservíveis que foram recolhidos para manutenção. Imediatamente, foram tomadas todas as providências administrativas com o objetivo de apurar as circunstâncias do fato, sendo instaurado um Inquérito Policial Militar.

Toda tropa está aquartelada de prontidão (cerca de 480 militares), conforme previsões legais, para poder contribuir para as ações necessárias no curso da investigação. Os militares estão sendo ouvidos para que possamos identificar dados relevantes para a investigação.

Os armamentos são inservíveis e estavam no Arsenal que é uma unidade técnica de manutenção, responsável também para iniciar o processo desfazimento e destruição dos armamentos que tenham sua reparação inviabilizada"..

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