Estudante da região perde vaga em curso de medicina da USP por não ser considerado pardo

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Um jovem estudante de 18 anos, residente em Cerqueira César (SP), cidade que fica a 80 quilômetros de Ourinhos, teve sua jornada rumo ao curso de medicina na Universidade de São Paulo (USP) abruptamente interrompida após uma decisão da banca julgadora. Alison dos Santos Rodrigues, aprovado na primeira chamada pelo Provão Paulista, viu-se desprovido da vaga no seu primeiro dia de aula, devido à avaliação da heteroidentificação.

Alison, que sempre se autodeclarou como pessoa parda, foi confrontado com a notícia de que não foi aprovado pela banca, gerando uma mistura de desapontamento e incredulidade. "Tudo aquilo que aconteceu me deixou sem chão, parece que o mundo acabou porque foi algo muito difícil de conquistar", desabafou.

Determinado a não deixar escapar a oportunidade de perseguir seu sonho profissional, Alison e sua família optaram por ingressar com recursos legais para garantir sua rematrícula. Com o apoio da Defensoria Pública, representada pela advogada Giulliane Jovitta Basseto Fittipald, um processo de tutela antecipada antecedente foi iniciado, visando obter uma resposta rápida e eficaz diante da urgência da situação.

Segundo Giulliane, a escolha dessa medida processual se dá pela sua agilidade e eficiência, visando proteger os direitos do interessado e minimizar os prejuízos decorrentes de atrasos na resolução do caso.

Por outro lado, a instituição de ensino defende o rigor do processo de avaliação. A análise das fotografias é conduzida por duas bancas de cinco pessoas, baseando-se unicamente em fatores fenotípicos, como cor da pele, características faciais e cabelo. Caso a foto do candidato não seja aprovada na primeira avaliação, é automaticamente direcionada para a segunda banca.

A USP ressalta que os candidatos são informados de que a matrícula está condicionada ao resultado das bancas de heteroidentificação. No caso específico de Alison, a decisão final foi comunicada na última sexta-feira, dia 23 de fevereiro, seguindo o procedimento padrão da instituição.

A batalha de Alison evidencia as complexidades e desafios enfrentados pelos estudantes em busca de oportunidades educacionais, além de levantar questões sobre os processos de seleção e as políticas de inclusão no ensino superior. Enquanto aguarda a resolução do caso, Alison mantém-se firme em sua identidade e determinado a fazer valer seus direitos.