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Postado em 01/04/2021 às 13:45

Dia de Malhar o Judas, por Jair Vivan Jr.

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Tudo em preparação para o encerramento da Semana Santa, era dia de malhar o Judas, no fim do longo jejum imposto pela quaresma, os quarenta dias sem ouvir músicas no rádio ou rádio vitrola, muito mal podia ver os programas discretos da televisão, caso houvesse uma na sua ou na casa do vizinho, que certamente estaria com a janela pelo lado de fora cheia de telespectadores de plantão e eram conhecidos popularmente como "televizinhos".   

Não podia comer carnes, brigar ou fazer fofocas, tinha medo de saci e procissão de almas penadas, não podia fazer artes, mas também os pais não podiam dar surras durante o citado período.

Boa parte da semana tinha sido dedicada a confecção do Judas, boneco em tamanho natural, pois eram usadas roupas velhas do pai, com enchimentos na calça e camisa de mangas compridas, com jornal amassado, formava-se o corpo, o restante ia da imaginação de cada ano.

O Sábado já amanhecia com clima de malhação, o agito girava em torno de uma espécie de palco com forca onde o Judas seria queimado, após ser malhado e quase destruído, normalmente a fogueira era alimentada e acabava levando toda a parte da manhã do Sábado de Aleluia. Mesmo porque tínhamos expertise em fogueiras, dado as incontáveis festas juninas.

Foto: Arquivo

Mas também era um dia perigoso, era permitido colocar em dia as surras e os merecidos castigos acumulados no jejum. No mais era aguardar que viesse um ovo de Páscoa caprichado no domingo.

Tudo tinha importância e significado, os dias santos e datas comemorativas eram ansiosamente esperados e respeitados à risca, tinha época de tudo e tudo tinha sua época, o Domingo de Ramos já começava a dar o clima da festa que aconteceria após a Paixão de Cristo.

O mesmo Sábado de Aleluia tão aguardado para malhar o Judas, em uma nova fase da vida era muito comemorado pelo fim do grande jejum de bailes, festas e churrascos após o carnaval.

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