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Postado em 03/06/2021 às 11:21

Dia de Corpus Christi era dia de procissão, por Jair Vivan Jr.

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Enfim era Corpus Christi, data muito significativa para quem estava se preparando para a primeira comunhão. 
 
Era lembrar-se da Santíssima Trindade, do Espirito Santo, do Pai e do Filho, da língua de fogo, enfim era para nós a data máxima, a melhor procissão de todas, superava até a importância de poder carregar velas acesas envoltas na casinha de papel usada para reter a parafina derretida e não deixar cair na mão, que acabavam escandalosamente incendiadas e deixadas no meio fio.
 
O enorme tapete colorido era nosso, nós que tínhamos feito, ou melhor com a devida antecedência preparamos todo o material utilizado para a elaborada confecção do tapetão.
 
Muitas tampinhas de garrafas encapadas com papel laminado ouro e prata, pó de serra tingido em diversas cores, palha de arroz, pó de café usado, farinha de trigo (normalmente usada para fazer a hóstia) e mais. Grande parte deste material eram processados e unificados na chácara das freiras, os escolhidos para esta etapa normalmente aproveitavam para rapelar os pés de mexericas inesquecíveis por lá existentes.
 
Era chegado o grande dia, agora era acordar cedo e correr para a Arlindo Luz, a rua onde via de regra era utilizada para a grande passarela que ligava em uma reta a Capela do Colégio à Igreja Matriz (hoje Catedral).
 
Oficialmente éramos calouros na grande disputa pelo melhor trabalho, os mais velhos sempre ganhavam, conseguiam elaborar obras fantásticas, invejáveis, eu não via a hora de ser mais velho e poder ser premiado pela autoria de uma daquelas.
 
Na frente, o padre carregando a cruz leve posicionada defronte ao peito da cintura para cima ladeado por coroinhas, logo atrás vinha o andor (o qual eu tinha planos para um dia, assim que eu tivesse altura, ajudar à carregar), os apóstolos representados pelos ministros de igreja, carregavam as velas acesas elevadas em lanternas envidraçadas e depois vinha todo mundo, já com o tapete semi pisado, dava tristeza de ver todo aquele árduo trabalho sendo destruído, para alguns tinha valido a premiação, no meu caso era só o orgulho de ter participado e alguns parabéns.
 
Nem tão mais velho, no meio, já no ano seguinte iria competir à altura, eu era da cruzada, o primeiro ano de perseverança, a faixa amarela que eu usava atravessada no peito tinha uma travessa de fita azul na ponta, o primeiro grau de veterano. 
 
Belo trabalho, muito bonito, nossas meninas eram muito hábeis, não tinha nem o que ver, era nossa, vai que é tua..., todo prosa. E fomos à procissão.
 
Só que não, soubemos que o prêmio seria dado à outro grupo, fomos injustiçados, vimos como proteção, o padre, a freira, as internas, as semi-internas a soror, a Associação de Pais e Mestres, os protegidos, a decepção.
 
Um de nós liderou, outros três fomos atrás 
posicionados à frente da procissão desmanchando o tapete antes que o padre o fizesse.
 
Dos anos seguintes não sei, pois não participei mais das produções e passei a seguir as procissões com os últimos das filas, cabisbaixos em sinal de respeito.
 
E por dois a três dias que era o tempo que levavam para remover aquela matéria prima quantificada pela palha de arroz que servia de base para os trabalhos, ficavam insistentes em minha cabeça as lembranças dos belos mosaicos que ajudei à construir.

Jair Vivan Jr.

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