Acadêmicos de Niterói é rebaixada após desfile que homenageou Lula na Sapucaí

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A escola de samba Acadêmicos de Niterói foi rebaixada do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, um ano após conquistar o acesso à elite. Na apuração realizada nesta quarta-feira (18), a agremiação somou 264,6 pontos e ficou entre as últimas colocadas.

Neste ano, a escola levou para a Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A apresentação destacou momentos da trajetória política do petista e incluiu críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi retratado como o personagem “Bozo” em alegorias e encenações na avenida.

O presidente acompanhou o desfile de um camarote na Sapucaí, de onde acenou para o público. A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, também esteve presente. Ela era esperada para desfilar no último carro alegórico, mas foi substituída pela cantora Fafá de Belém.

Na avaliação dos jurados, a Acadêmicos de Niterói recebeu as menores notas em sete dos nove quesitos: comissão de frente, bateria, mestre-sala e porta-bandeira, alegorias e adereços, harmonia, fantasia e enredo. As únicas notas máximas foram atribuídas ao quesito samba-enredo.

Controvérsias e ações judiciais
O enredo gerou controvérsias antes mesmo do desfile. Foram protocoladas ao menos dez ações judiciais e representações no Ministério Público e no Tribunal de Contas da União (TCU), com pedidos para impedir a apresentação ou suspender repasses de recursos públicos à escola.

As iniciativas alegavam que trechos do samba e da encenação poderiam configurar propaganda eleitoral antecipada, uma vez que a legislação permite esse tipo de manifestação apenas a partir de 16 de agosto em ano eleitoral. Lula é apontado como possível candidato à reeleição em 2026.

O caso chegou ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral, que, por unanimidade, negou liminar para proibir o desfile. Os ministros entenderam que a medida poderia caracterizar censura prévia. No entanto, ressaltaram que eventuais condutas na avenida poderiam ser analisadas posteriormente e, se necessário, resultar em punições.

Após a decisão, o Partido dos Trabalhadores (PT) orientou seus integrantes a evitarem manifestações que pudessem ser interpretadas como propaganda antecipada.

O governo federal negou qualquer irregularidade, afirmou que não participou da escolha do enredo e declarou que o apoio financeiro às escolas de samba é prática recorrente. Após o desfile, Lula elogiou a apresentação nas redes sociais.

Por outro lado, lideranças da oposição anunciaram novas medidas judiciais, reiterando acusações de promoção eleitoral antecipada e uso indevido de recursos públicos. Parlamentares, especialmente ligados à bancada evangélica, também criticaram a ala intitulada “Neoconservadores em conserva”, que trazia representações de famílias dentro de latas, algumas com adereços de referência religiosa.

Na segunda-feira (16), a escola divulgou nota pública afirmando ter sido alvo de perseguições durante a preparação para o carnaval em razão do enredo escolhido.
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