Acusados de ataque com soda cáustica contra jovem em Jacarezinho vão a júri popular nesta segunda-feira, 8

Compartilhe:
Nesta segunda-feira (8), o Tribunal do Júri de Jacarezinho, no Norte do Paraná, julga o caso que chocou a população da cidade em 2024. Os réus Marlon Ferreira Lemes e Débora Aparecida Custódio Ferreira respondem por tentativa de feminicídio contra Isabelly Aparecida Ferreira Moro, jovem que teve o rosto e parte do corpo atingidos por soda cáustica durante um ataque ocorrido em maio daquele ano.

O julgamento está marcado para começar às 9h, no Fórum Criminal de Jacarezinho, e será conduzido pelo Conselho de Sentença, formado por jurados populares que decidirão sobre a responsabilidade dos acusados e sobre a manutenção das qualificadoras apontadas pelo Ministério Público.

Ataque ocorreu em plena luz do dia
O crime aconteceu na tarde de 22 de maio de 2024, quando Isabelly caminhava em direção a uma academia na região central da cidade. Segundo as investigações, uma mulher usando peruca e roupas largas se aproximou da vítima e lançou um líquido corrosivo sobre ela, fugindo logo em seguida.
Imagens de câmeras de monitoramento registraram o momento em que a jovem corre pelas ruas em busca de ajuda após ser atingida. Um barbeiro que estava nas proximidades prestou socorro imediato e a levou até um hospital.

Durante as buscas, testemunhas encontraram uma sacola e um copo molhados próximos ao local do crime. Os objetos foram recolhidos pela polícia e passaram por perícia.

Vítima sofreu queimaduras graves
A investigação confirmou que o produto utilizado no ataque era soda cáustica. Isabelly sofreu queimaduras de segundo grau no rosto, boca, cavidade oral, garganta e região do tórax.

O quadro de saúde da jovem se agravou durante a internação. Ela desenvolveu uma infecção, precisou ser intubada, submetida à ventilação mecânica e permaneceu cerca de 30 dias internada no Hospital Universitário de Londrina antes de receber alta.


Sacola e o local com a marca do produto jogado na jovem — Foto: Reprodução


Ex-namorado é apontado como mentor do crime
De acordo com o Ministério Público do Paraná, o principal articulador do ataque teria sido Marlon Ferreira Lemes, ex-namorado da vítima.
Na época dos fatos, ele já estava preso por roubo de celular.

A acusação sustenta que, mesmo encarcerado, Marlon planejou o crime e convenceu sua então companheira, Débora Aparecida Custódio Ferreira, a executá-lo.

Débora foi presa dois dias após o ataque. A análise do conteúdo do celular dela teria ajudado os investigadores a reconstruir o planejamento do crime e a participação de ambos.

Os dois foram denunciados pelo Ministério Público em junho de 2024 e tiveram a submissão ao Tribunal do Júri determinada pela Justiça em maio de 2025.


 
Marlon Ferreira Lemes e Débora Aparecida Custódio Ferreira estão presos por serem suspeitos de atacar isabelly. — Foto: Reprodução/RPC/PM-PR

Confissões durante o processo
Nos depoimentos prestados durante a ação penal, ambos confessaram participação nos fatos.

Segundo os autos, Marlon afirmou que pretendia apenas dar um “susto” em Isabelly, alegando que a jovem passava em frente à unidade prisional durante os horários de visita e provocava Débora.

Já Débora admitiu ter lançado a soda cáustica contra a vítima. Em depoimento, afirmou que Marlon comprou o produto químico antes de ser preso, pesquisou sobre seus efeitos e orientou a forma como ela deveria agir para evitar identificação.

Ela declarou ainda que o objetivo de Marlon era desfigurar Isabelly.

Acusação aponta tentativa de feminicídio
Ao enviar o caso para julgamento popular, o juiz Renato Garcia entendeu que existem indícios suficientes para que os acusados respondam por tentativa de feminicídio qualificado.

A decisão destaca três circunstâncias agravantes:
  • Recurso que dificultou a defesa da vítima, já que o ataque ocorreu de forma inesperada e com uso de disfarce;
  • Motivo torpe, relacionado ao sentimento de posse e vingança pelo término do relacionamento, além de ciúmes e inveja atribuídos à executora;
  • Meio cruel, em razão da utilização de soda cáustica, substância altamente corrosiva e capaz de provocar intenso sofrimento físico.
Durante a sessão desta segunda-feira, serão ouvidas testemunhas, a própria vítima e os acusados, que poderão ser interrogados pelos participantes do julgamento.

Defesas contestam a acusação
A defesa de Marlon sustenta que não existem provas suficientes para demonstrar que ele tenha ordenado, participado ou contribuído para o crime. A advogada Tatiane Souza Paiva também afirma que o caso não reúne elementos que caracterizem tentativa de feminicídio, argumentando que não houve intenção de matar.

Já a defesa de Débora afirma que ela também foi vítima de violência. O advogado Jean Campos declarou que apresentará aos jurados um histórico de agressões físicas, psicológicas e emocionais supostamente praticadas por Marlon ao longo dos anos. Segundo ele, Débora chegou a obter uma medida protetiva contra o ex-companheiro durante o andamento do processo.

A expectativa é que o julgamento se estenda por várias horas e tenha forte repercussão em Jacarezinho, onde o caso provocou grande comoção desde o ataque ocorrido há dois anos.
⚠️ AVISO SOBRE DIREITOS AUTORAIS

Todo o conteúdo publicado no site, incluindo textos, fotografias, vídeos, artes, logotipos e demais materiais jornalísticos, é protegido pela Lei de Direitos Autorais (Lei Federal nº 9.610/98).

É expressamente proibida a reprodução, cópia, distribuição, retransmissão ou utilização total ou parcial de qualquer conteúdo deste portal sem autorização prévia e formal do site Passando a Régua.

A utilização indevida de material protegido poderá resultar em responsabilização civil e criminal, conforme previsto na legislação brasileira.

O compartilhamento de links das matérias é permitido, desde que preservada a autoria e a integridade do conteúdo.