O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Operação Venire para investigar a falsificação de dados de vacinação da Covid-19 no sistema do Ministério da Saúde. A operação inclui a apreensão de armas e passaporte do ex-presidente Jair Bolsonaro, que teve a casa em Brasília vasculhada pela Polícia Federal na quarta-feira, 3 de maio.
De acordo com as informações apuradas pelo Estadão, o celular do ex-presidente foi apreendido, mas as armas e o passaporte não foram encontrados. A decisão de Moraes também autoriza as buscas em "endereços contíguos", incluindo quartos de hotéis e motéis, além de permitir acesso aos dados armazenados na nuvem.
Além de Bolsonaro, a investigação envolve assessores do ex-presidente e ex-servidores do governo, incluindo o tenente-coronel do Exército Mauro Cid, ex-ajudante de ordens presidencial, que foi preso preventivamente. Com ele, a polícia apreendeu armas, além de U$S 35 mil e R$ 16 mil em dinheiro vivo.
A investigação aponta que os certificados de vacinação de Bolsonaro e da filha, Laura, de 12 anos, teriam sido falsificados para facilitar viagens internacionais. O comprovante de imunização passou a ser exigido no auge da pandemia. Moraes também determinou que a PF ouça os profissionais de saúde que constam como tendo aplicado as doses de vacina no ex-presidente.
Em comunicado à imprensa, a defesa de Bolsonaro afirmou que o ex-presidente nunca recebeu qualquer imunizante contra a Covid-19 e que não haveria motivo para ele promover ou determinar a confecção de certificados falsos.
A operação faz parte da investigação da Polícia Federal sobre um esquema de falsificação de carteiras de vacinação contra a Covid-19, que envolve políticos locais e uma servidora municipal de Duque de Caxias (RJ). Os investigadores suspeitam que as informações cadastradas nos sistemas do Ministério da Saúde tenham sido fraudadas para emitir certificados de imunização em nome de pessoas que não foram efetivamente vacinadas, com o objetivo de burlar a exigência do comprovante de vacinação para viagens internacionais. As fraudes teriam sido operadas a partir da prefeitura de Duque de Caxias, com a ajuda de políticos locais e assessores de Bolsonaro também são investigados.
COM A PALAVRA, O EX-PRESIDENTE JAIR BOLSONARO
“A defesa do ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, reitera que este, em linha com a posição que sempre manteve, nunca recebeu qualquer imunizante contra covid-19. Na constância de seu mandato somente ingressou em países estrangeiros que aceitassem tal condição ou se dessem por satisfeitos com a realização de teste viral, procedimento adotado em diversas ocasiões. A ex-primeira-dama, Dona Michelle, conforme amplamente divulgado, foi vacinada, com imunizante de dose única, no ano de 2021. A filha menor do casal, por sua vez, foi proibida de receber qualquer imunizante em razão de comorbidades preexistentes, situação sempre e devidamente atestada por médicos. A contrario sensu do quanto amplamente noticiado na data de hoje, não haveria qualquer motivo para que o Ex-Presidente promovesse ou determinasse a confecção de certificados falsos.”
Assinado por Paulo Amador da Cunha Bueno, Daniel Bettamio Tesser e Fábio Wajngarten
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