Anvisa suspende glitter e pó decorativo da marca Art Decor usados em alimentos

Compartilhe:
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a comercialização do pó para decoração e do glitter para decoração da marca Art Decor, utilizados como ingredientes em alimentos. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (26) no Diário Oficial da União e faz parte de uma série de medidas adotadas pelo órgão para coibir o uso de produtos decorativos sem comprovação de segurança alimentar.

Segundo a Anvisa, o produto da marca Art Decor apresenta composição e fabricante desconhecidos, além de indicação de uso em alimentos, conforme divulgado no site da empresa e em plataformas de comércio eletrônico. No entanto, não há comprovação de que o produto seja seguro para ingestão humana, o que motivou a suspensão imediata da venda.

A medida se soma a outras decisões recentes envolvendo produtos decorativos usados em confeitaria. Na última segunda-feira (26), a Anvisa também determinou a suspensão do pó para decoração da marca Sugar Art, da empresa Madi Comércio e Indústria de Artigos para Festas e Artesanatos Ltda. Nesse caso, foi identificada a presença de materiais plásticos no produto, além da indicação indevida para uso como ingrediente em alimentos em anúncios de comércio eletrônico.

Já no dia 13 de novembro, a agência havia suspendido diversos glitters e pós decorativos amplamente utilizados em confeitaria, após a detecção de materiais plásticos e, em alguns casos, de um ingrediente descrito como “metal de transição laminado atômico 99”, de origem e segurança desconhecidas. Entre os produtos suspensos estavam itens das marcas Iceberg Chef, Jeni Joni, Jady Confeitos e Glitz, da empresa Fab.

O tema ganhou grande repercussão no fim de outubro, quando a Anvisa reforçou que glitters contendo polipropileno (PP) e outras substâncias plásticas não devem ser ingeridos. A discussão ganhou força após a divulgação de um vídeo do influenciador Dario Centurione, do canal Almanaque SOS, que questionou a segurança de bolos e sobremesas com brilho intenso obtido a partir de glitter decorativo. Após a repercussão, a Anvisa se manifestou oficialmente condenando o uso desses produtos em receitas.

Em entrevistas, confeiteiras e especialistas afirmaram que, durante anos, houve indução ao erro por parte de fabricantes, que divulgaram os produtos como se fossem adequados para uso alimentar, inclusive em treinamentos, feiras do setor e vídeos tutoriais nas redes sociais. A professora de confeitaria e bacharel em Química de Alimentos pela USP, Julia Postigo, destacou que muitos desses itens eram expostos ao lado de corantes alimentícios, o que reforçava a interpretação equivocada de que seriam próprios para consumo.

Após a polêmica, algumas fabricantes se pronunciaram. A Iceberg Chef informou que sempre diferenciou suas linhas decorativa e alimentícia, mas decidiu retirar do mercado os produtos que continham polipropileno. Outras empresas afirmaram que seus produtos eram destinados apenas a trabalhos artesanais e decorativos, não alimentícios, embora profissionais do setor contestem essa versão. Algumas marcas ainda não se manifestaram oficialmente.

A Anvisa orienta que consumidores e profissionais verifiquem atentamente os rótulos antes de utilizar produtos em alimentos. Itens seguros devem conter lista de ingredientes autorizados, denominação de venda adequada, lote, data de validade, informações sobre glúten e alertas de alergênicos. Produtos que contenham PP micronizado não são autorizados para consumo humano.

Casos de comercialização irregular podem ser denunciados à Vigilância Sanitária municipal, inclusive com o envio de imagens do rótulo completo do produto, para auxiliar na fiscalização e investigação.