Após 11 dias de julgamento, Jairinho é condenado a mais de 43 anos pela morte de Henry Borel; Monique Medeiros recebe perdão judicial

Compartilhe:
O II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro concluiu na madrugada desta quinta-feira (4) o julgamento do Caso Henry Borel, considerado o mais longo da história do Estado. Após 11 dias de depoimentos e debates entre acusação e defesa, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, foi condenado a 43 anos, nove meses e 20 dias de prisão pela morte do menino Henry Borel Medeiros, de apenas 4 anos, ocorrida em março de 2021.

Já a mãe da criança, Monique Medeiros, teve a acusação de homicídio por omissão desclassificada para homicídio culposo e recebeu o perdão judicial. A juíza Elizabeth Machado Louro determinou sua imediata soltura.

Jairinho foi condenado por homicídio duplamente qualificado e também pelo crime de tortura em um dos três episódios apresentados pela acusação. Ele acabou absolvido das outras duas acusações de tortura. Além da pena de prisão, a Justiça determinou que ele pague R$ 400 mil por danos morais ao pai de Henry, Leniel Borel.

A defesa de Jairinho informou que irá recorrer da decisão. O Ministério Público também anunciou que pretende recorrer da sentença envolvendo Monique Medeiros.

Juíza destaca perseguição contra Monique
Ao justificar a decisão, a magistrada afirmou que Monique foi alvo de uma intensa campanha de ataques públicos durante os cinco anos de tramitação do caso. Segundo a juíza, a professora sofreu uma perseguição marcada por preconceitos e julgamentos sociais.

“Desde a investigação, Monique não mereceu o benefício da dúvida e ao longo do processo, embora fosse apontada como mãe zelosa, e não ter sido acusada de infligir diretamente agressões físicas a seu filho, a revolta evoluiu rapidamente para franco massacre nas redes sociais”, afirmou Elizabeth Louro.

A magistrada também declarou que Monique foi vítima de misoginia extrema e que enfrentou um sofrimento incomensurável após perder o único filho.

Debate central foi a suposta omissão da mãe
O julgamento teve como principal ponto de discussão a eventual responsabilidade de Monique na morte do filho.
O Ministério Público sustentou que ela tinha conhecimento das agressões praticadas por Jairinho e deixou de agir para proteger a criança. Já a defesa argumentou que Monique desconhecia a violência sofrida por Henry e também teria sido manipulada pelo então companheiro.

Para a acusação, Jairinho agia de forma cruel e sádica dentro do apartamento onde vivia com Monique, na Barra da Tijuca. Os promotores afirmaram que a morte de Henry ocorreu em decorrência de uma laceração hepática causada por agressões físicas sofridas em 8 de março de 2021.

Com a autoria do crime atribuída diretamente a Jairinho, a acusação concentrou esforços em convencer os jurados de que Monique falhou no dever de proteger o filho.

Durante os debates, o promotor Fábio Vieira classificou Jairinho como “um psicopata” e descreveu Monique como “uma narcisista”, argumentando que a mãe ignorou diversos sinais de violência.

Monique aponta Jairinho como responsável
Em seu depoimento, Monique Medeiros afirmou pela primeira vez acreditar que Jairinho tenha sido o responsável pela morte de Henry.

“Eu acho que foi, eu creio que foi. Hoje, pelo modus operandi dele, pelas ex-namoradas, pelos filhos, sim, eu acredito que pode ter sido ele”, declarou.

Sua defesa rebateu as acusações de que ela teria ignorado os sinais de agressão para manter uma vida confortável ao lado do então vereador. Os advogados também criticaram o que classificaram como uma tentativa de julgar Monique com base em padrões de comportamento esperados de uma mãe, citando questionamentos sobre sua aparência, frequência à academia e hábitos pessoais.

Mensagens da babá estiveram no centro do julgamento
Um dos principais elementos debatidos durante o júri foi uma conversa por mensagens entre a babá Thayná de Oliveira Ferreira e Monique, ocorrida em fevereiro de 2021, menos de um mês antes da morte de Henry.

Segundo a acusação, as mensagens demonstrariam que Monique tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho. A defesa, por outro lado, argumentou que o conteúdo não deixava claro que o menino estava sendo vítima de violência por parte do padrasto.

Na conversa, a babá relatava que Henry havia saído de um quarto chorando, mancando e com um ferimento na cabeça após permanecer sozinho com Jairinho.

Jairinho negou as agressões
Durante seu depoimento, Jairinho negou ter agredido Henry e contestou as acusações apresentadas pela babá.

“Eu não fiz isso com o Henry. A investigação contra mim tem como base a percepção abstrata da Thayná sobre agressões contra o Henry que nunca aconteceram. Minha vida está destruída por causa de prints que pegaram da babá”, afirmou.

Apesar da negativa, os jurados entenderam que as provas apresentadas pela acusação eram suficientes para condená-lo pela morte da criança.

Com a decisão anunciada na madrugada desta quinta-feira, encerra-se uma das mais longas e acompanhadas ações criminais da história recente do país, embora o caso ainda deva seguir para análise em instâncias superiores por meio dos recursos já anunciados pelas partes.
⚠️ AVISO SOBRE DIREITOS AUTORAIS

Todo o conteúdo publicado no site, incluindo textos, fotografias, vídeos, artes, logotipos e demais materiais jornalísticos, é protegido pela Lei de Direitos Autorais (Lei Federal nº 9.610/98).

É expressamente proibida a reprodução, cópia, distribuição, retransmissão ou utilização total ou parcial de qualquer conteúdo deste portal sem autorização prévia e formal do site Passando a Régua.

A utilização indevida de material protegido poderá resultar em responsabilização civil e criminal, conforme previsto na legislação brasileira.

O compartilhamento de links das matérias é permitido, desde que preservada a autoria e a integridade do conteúdo.