Ataque hacker à Binance provoca roubo de US$ 6,3 bilhões e pode ter começado em notebook de funcionário

Invasão à maior corretora de criptomoedas do mundo durou cerca de 20 minutos e é considerada o maior roubo de ativos digitais da história. Especialistas suspeitam de hackers ligados à Coreia do Norte.
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A Binance, considerada a maior corretora de criptomoedas do mundo, foi alvo de um ataque hacker que resultou no roubo de aproximadamente US$ 6,3 bilhões, o equivalente a R$ 34 bilhões, na quinta-feira (29). Segundo informações divulgadas pelo g1, com dados das agências Reuters e AFP, a invasão pode ter começado por meio do notebook de um funcionário da empresa.

O ataque durou aproximadamente 20 minutos e é considerado por especialistas o maior roubo de criptomoedas já registrado. A ação provocou preocupação no mercado financeiro e contribuiu para a queda das principais moedas digitais nesta sexta-feira (30).

A Binance informou que está investigando o caso, suspendeu temporariamente os saques e garantiu que os recursos dos clientes estão protegidos.

Notebook de engenheiro pode ter facilitado invasão
De acordo com as primeiras investigações, criminosos podem ter conseguido acesso ao computador de um engenheiro da Binance e utilizado o equipamento para entrar nos sistemas da corretora.

A suspeita é de que os invasores tenham comprometido mecanismos responsáveis pela autorização de transferências de criptomoedas, permitindo a realização de saques não autorizados.

Posteriormente, a empresa informou ter identificado outras possíveis falhas de segurança que também podem ter sido exploradas.

Segundo a empresa americana TRM Labs, especializada em rastreamento de criptomoedas, a maior parte dos valores foi desviada em cerca de 20 minutos, por volta das 17h, no horário de Brasília.

Após o roubo, os criminosos começaram a movimentar rapidamente os ativos digitais entre diferentes endereços, numa tentativa de dificultar o rastreamento e o bloqueio dos recursos.

Cerca de R$ 16,2 bilhões já foram localizados
A Binance informou que aproximadamente US$ 3 bilhões, equivalentes a R$ 16,2 bilhões, em criptomoedas roubadas já foram localizados.

Parte desse dinheiro foi bloqueada com a colaboração de outras empresas do setor.

A Tether anunciou o congelamento de quase US$ 1,57 bilhão, enquanto a Circle bloqueou mais de US$ 800 milhões. A Ripple também informou ter congelado aproximadamente US$ 200 milhões.

Essas empresas emitem determinadas criptomoedas conhecidas como stablecoins, cujos mecanismos permitem, em algumas situações, impedir a movimentação dos valores.

Entretanto, localizar ou bloquear os recursos não significa que o dinheiro tenha sido recuperado.

Segundo especialistas, aproximadamente US$ 2,4 bilhões em Bitcoin e Ether podem estar fora do alcance imediato dessas medidas, já que essas moedas não possuem uma empresa central responsável por autorizar ou bloquear diretamente as transações.

Hackers ligados à Coreia do Norte são suspeitos
As empresas americanas TRM Labs e Chainalysis apontaram semelhanças entre a invasão à Binance e ataques anteriores atribuídos a grupos de hackers ligados à Coreia do Norte.

Uma das principais suspeitas envolve o grupo TraderTraitor, que, segundo analistas, teria ligação com o Grupo Lazarus, conhecido por ataques cibernéticos de grande repercussão internacional.

O grupo também é associado a outras invasões contra plataformas de criptomoedas, incluindo o ataque à corretora Bybit, ocorrido em 2025.

Apesar das suspeitas levantadas por especialistas, a Binance ressaltou que ainda não identificou oficialmente os responsáveis pelo ataque.

Binance promete cobrir prejuízos dos clientes
Em comunicado, a corretora afirmou que os depósitos não foram afetados e que utilizará recursos próprios para compensar as perdas provocadas pela invasão.

A empresa também poderá recorrer ao fundo de emergência SAFU, criado para proteger clientes em situações de falhas de segurança.

O fundo possui aproximadamente US$ 1 bilhão em Bitcoin, valor inferior ao total desviado no ataque.

Segundo a Binance, a previsão divulgada era de que os serviços de saque fossem retomados em até 45 horas, enquanto as equipes de segurança trabalham em conjunto com autoridades e outras empresas para rastrear os recursos roubados.

Bitcoin e outras criptomoedas registram queda
A repercussão do ataque provocou uma reação negativa no mercado de criptomoedas nesta sexta-feira (30).

Segundo os dados divulgados pelo g1, o Bitcoin caiu mais de 3%, chegando a US$ 77.356,60, seu menor valor em seis semanas.

O Ether também recuou mais de 3%, atingindo US$ 2.178, enquanto o BNB, criptomoeda ligada à Binance, registrou queda de aproximadamente 5% em 24 horas.

O impacto também atingiu empresas do setor financeiro. As ações da Coinbase recuaram 4,8%, enquanto os papéis da Strategy, conhecida por seus investimentos em Bitcoin, registraram queda de quase 6% nas negociações após o fechamento regular das bolsas americanas.

A Coinbase informou que não foi afetada pela invasão.

Ataque reacende preocupação com segurança digital
Fundada em 2017, a Binance possui aproximadamente 335 milhões de usuários cadastrados em todo o mundo e mantinha sob sua responsabilidade cerca de US$ 162,8 bilhões em ativos digitais, segundo seu relatório anual de 2025.

O episódio reacendeu o debate sobre a segurança das plataformas de criptomoedas, especialmente diante do crescimento dos ataques cibernéticos contra empresas do setor.

Somente em 2025, criminosos roubaram aproximadamente US$ 2,9 bilhões em quase 150 ataques, segundo levantamento da TRM Labs.

As investigações sobre a invasão à Binance continuam, e ainda não há confirmação de quanto do dinheiro roubado poderá ser efetivamente recuperado.

Fonte: g1, com informações das agências Reuters e AFP.
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