Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Will Bank, ligado ao conglomerado do Banco Master

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O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank, instituição que integra o conglomerado do Banco Master. As informações são do g1.

A Will Financeira operava sob Regime Especial de Administração Temporária (Raet) desde a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em 18 de novembro de 2025. O Raet é um mecanismo utilizado pelo Banco Central para assumir temporariamente o controle de uma instituição financeira, com o objetivo de evitar o agravamento da situação e reduzir prejuízos aos clientes e ao sistema financeiro.

Em nota, o Banco Central informou que a decisão pela liquidação ocorreu em razão do comprometimento da situação econômica da instituição, que se mostrou incapaz de honrar suas obrigações, principalmente em decorrência do vínculo de interesse com o Banco Master, já liquidado. Segundo o BC, esse vínculo ficou evidenciado pelo exercício de poder do Master sobre a Will Financeira.

De acordo com apuração do blog do g1, a Will Bank não havia sido liquidada anteriormente porque o Banco Central aguardava a possibilidade de venda da instituição a um investidor estrangeiro de origem árabe, interessado no negócio. A negociação, no entanto, não foi concluída.

A situação se agravou nos últimos dias. Em 19 de janeiro, a Mastercard comunicou ao Banco Central que a Will Financeira não honrou pagamentos devidos. No dia seguinte, a bandeira anunciou a suspensão da aceitação dos cartões emitidos pelo Will Bank, em razão das dívidas acumuladas. Com a não concretização da venda e o aumento dos passivos, o funcionamento da instituição tornou-se inviável, levando à decretação da liquidação extrajudicial.

A liquidação extrajudicial implica o encerramento das atividades da instituição, sem necessidade de processo judicial, e prevê o pagamento ordenado dos credores, conforme as regras do sistema financeiro.

Caso Banco Master
O caso da Will Bank está diretamente ligado à crise do Banco Master. Segundo apuração da TV Globo, Maurício Antônio Quadrado, ligado ao Will Bank, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro. De acordo com fontes da Polícia Federal, ele seria sócio oculto de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em 18 de dezembro de 2025, após enfrentar dificuldades financeiras, alto custo de captação e forte exposição a investimentos considerados de risco. Tentativas de venda, como uma proposta do BRB, não avançaram devido a questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência e menções à instituição em investigações. O alerta no mercado aumentou quando o banco passou a oferecer CDBs com rentabilidades muito acima da média.

Trajetória do Will Bank
Criado com foco na inclusão financeira, o Will Bank se consolidou como um banco digital voltado a clientes de renda média e baixa, com forte presença no Nordeste, região que concentra cerca de 60% de sua base de usuários, muitos em cidades de pequeno porte.

A fintech surgiu em 2017 a partir do pag!, emissor de cartões fundado por Felipe Felix, atual CEO, ao lado dos irmãos Giovanni e Walter Piana. Em 2020, a empresa passou por uma reformulação e adotou a marca Will Bank, ampliando sua atuação para além do cartão de crédito.

Ao longo dos anos, o banco expandiu seu portfólio com conta digital remunerada, Pix, pagamentos de boletos, empréstimo pessoal, antecipação do saque-aniversário do FGTS e um marketplace com cashback. Em 2021, recebeu um aporte de R$ 250 milhões de fundos ligados à XP e à Atmos Capital, que ficaram com uma participação minoritária de 24,9%.

Em 2024, após aval do Cade e do Banco Central, o controle da Will Instituição de Pagamento foi transferido ao Grupo Reag, enquanto a Will Financeira passou para o controle do Grupo Master, com transferência de ativos e passivos entre as empresas.

Apesar da intervenção do BC, a instituição havia apresentado melhora recente nos resultados. No primeiro semestre de 2024, o Will Bank reverteu prejuízos acumulados e registrou lucro líquido de R$ 47,4 milhões, segundo dados divulgados pela própria companhia.

Estratégia de marketing
O Will Bank também se destacou por campanhas publicitárias com celebridades e influenciadores, como Whindersson Nunes, Maísa, Pabllo Vittar, Simone, Thelminha e o jogador Vinícius Júnior, com forte presença nas redes sociais, especialmente no TikTok. As ações reforçavam o discurso de democratização do crédito, diversidade e proximidade com o público jovem, em especial no Nordeste.

Com a decretação da liquidação extrajudicial, o futuro da operação e o impacto para os clientes passam a depender dos desdobramentos conduzidos pelo Banco Central e pelos administradores responsáveis pelo processo.
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