Brasil faz história com prata no Mundial, mas título escapa por 0.1 para a Ucrânia

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O conjunto brasileiro de ginástica rítmica fez história neste domingo (24), na Arena Carioca 1, no Rio de Janeiro, ao conquistar a medalha de prata na série mista (três bolas e dois arcos) do Mundial. A diferença para o título, no entanto, foi mínima: apenas 0.1 ponto separou o Brasil da campeã Ucrânia, resultado que gerou debate entre torcedores e especialistas sobre os critérios de avaliação da arbitragem.

Durante a apresentação, as brasileiras foram ovacionadas pelo público, que chegou a gritar “é campeão” na expectativa do inédito ouro. Porém, na soma final das notas, a equipe europeia levou vantagem.

Como são definidos os resultados
De acordo com o regulamento da Federação Internacional de Ginástica (FIG), a pontuação das séries é formada a partir de três eixos:
  • Dificuldade (movimentos corporais e uso dos aparelhos),
  • Execução (precisão técnica, com deduções por falhas)
  • Artístico (expressividade e harmonia da coreografia).
Na comparação direta, o Brasil superou a Ucrânia na parte artística (8.200 contra 7.950), mas as europeias levaram vantagem na execução (7.500 contra 7.350) e, principalmente, na dificuldade corporal (6.000 contra 5.500). A diferença final de 0.200 pontos na dificuldade total acabou sendo decisiva.

“Nosso artístico é maior, a execução ficou um pouquinho mais baixa, mas as ucranianas fizeram meio ponto a mais na dificuldade corporal e 0.300 a menos na dificuldade do aparelho. Isso deu a elas uma vantagem de 0.200 na dificuldade total. Foram detalhes que fizeram a diferença”, explicou a comentarista Renata Teixeira, durante a transmissão do sportv2.

Detalhes da disputa
Confira as notas:
Notas Brasil Ucrânia
Dificuldade corporal 5.500 6.000
Dificuldade com aparelhos 7.500 7.200
Dificuldade total 13.000 13.200
Execução 7.350 7.500
Artístico 8.200 7.950
Total 28.550 28.650

Apesar das críticas de parte da torcida, que apontou falhas na apresentação ucraniana, especialistas defenderam a pontuação. A comentarista Juliana Coradine destacou que as europeias tiveram pequenas imprecisões, mas executaram uma série de altíssimo nível técnico:

“A Ucrânia fez uma série cravadinha. Elas passaram muito bem pelo conjunto misto. Tiveram pequenas imprecisões, mas nada que comprometesse tanto a nota. A série tem um grau de dificuldade muito alto, e as meninas conseguiram fazer uma boa coreografia”, avaliou.

Vale lembrar que, pelo regulamento, cada equipe só pode pedir revisão da própria nota, o que impossibilitou o Brasil de questionar a pontuação dada às rivais.

Dois pódios inéditos
Mesmo sem o ouro, o desempenho brasileiro foi histórico. Além da prata na série mista, o conjunto já havia conquistado no sábado (23) a medalha inédita na prova geral, as primeiras do Brasil em Mundiais de ginástica rítmica.

A ginasta Nicole Pircio, uma das titulares, celebrou o feito e projetou o futuro:
“Ir ao pódio nos dá mais gás. Já vínhamos fazendo história e agora concretizamos o Brasil como uma potência mundial. Somos o segundo melhor país do mundo. Começamos muito bem o ciclo. Temos combustível para melhorar cada vez mais e chegar aos Jogos de Los Angeles para buscar a tão sonhada medalha olímpica.”