Brasil vai propor criação de linha de crédito para socorrer Argentina em crise

Governo deve lançar 3ª edição do Programa de Aceleração do Crescimento.
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O Brasil está estudando a criação de uma linha de crédito para socorrer a Argentina, que enfrenta uma grave crise financeira. Segundo Gabriel Galípolo, secretário executivo do Ministério da Fazenda, o plano é a criação de um "crédito de exportação", um financiamento às empresas brasileiras que vendem para empresas argentinas que importam serviços e mercadorias do Brasil. As informações são da jornalista Andréia Sadi do g1.

O objetivo é fazer com que esse crédito de exportação funcione dentro das restrições que existem atualmente nos balanços de pagamentos na Argentina. A necessidade dessa linha de crédito tem um agravante este ano por conta de uma seca na Argentina, que reduziu em 40% as exportações, uma perda de cerca de US$ 17 bilhões.

O presidente Lula se encontrará nesta terça-feira (2) com o presidente argentino, Alberto Fernández, em Brasília. Fernández ainda terá uma reunião com o Ministério da Fazenda. Segundo o secretário, a linha de crédito é importante para as 210 empresas que comercializam com a Argentina, principalmente em valores industriais, de mais valor agregado.

A situação da Argentina é agravada pela queda no valor do dólar, o que torna o acesso aos mecanismos de financiamento mais difícil. A proposta é uma alternativa para resolver a falta de mecanismos do Brasil de financiamento das exportações brasileiras e importações argentinas nos últimos cinco anos, período em que o país perdeu cerca de US$ 6 bilhões em espaço no comércio para a China.

Galípolo explicou que o problema em resolver isso é que o comércio entre Brasil e Argentina usa uma moeda de um terceiro país que não participa desse comércio, que é o dólar. O secretário aponta que, por Brasil e China serem os principais parceiros comerciais da Argentina, pode ser que haja um auxílio vindo por parte do New Development Bank, o "Banco dos Brics", presidido pela ex-presidente Dilma Rousseff.

O secretário não confirmou se o "Banco dos Brics" será envolvido, mas disse que há conversas do Brasil com "todos os bancos multilaterais sobre a questão da Argentina". "A questão de ter ou não a ajuda do Banco dos Brics é porque tem um segundo país interessado em ajudar a Argentina, que é a China, que tem musculatura para que algo seja feito. Ter um parceiro como a China neste diálogo é muito relevante", afirmou Galípolo.

Governo deve lançar 3ª edição do Programa de Aceleração do Crescimento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira (1°), em ato realizado em São Paulo para celebrar o Dia Internacional do Trabalho, que o governo federal deve lançar uma terceira edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A promessa é agilizar o setor de infraestrutura.

Lula, que iniciou seu discurso com agradecimentos ao povo brasileiro por dar mais um voto de confiança a ele, afirmou que pretende retomar o Farmácia Popular, que amplia o acesso gratuito a medicamentos, e adotar ações que garantam que as camadas socialmente vulneráveis consigam atendimento médico com especialistas.

"Nós vamos garantir que as pessoas pobres desse país tenham direito a um especialista, para não morrer com uma receita na cabeceira da cama", disse.

Outro objetivo do governo é concluir o campus de São Bernardo do Campo, da Universidade Federal do ABC, inaugurar o da Universidade Federal de Osasco e criar uma terceira instituição de ensino, na zona leste da capital paulista.

"Quando Haddad era prefeito, ele doou o terreno, mas, até hoje, ninguém botou uma pedra", afirmou Lula

Se, por um lado, o presidente demonstrou gratidão a seus eleitores, por outro criticou os ataques dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, por contribuírem com a disseminação de desinformação, que quase minaram sua terceira reeleição. Lula reforçou a mensagem de que é preciso ter cuidado, ao repassar conteúdos que configuram as chamadas fake news.

"A gente não pode permitir que a mentira continue prevalecendo neste país", defendeu. "Foi a verdade que derrotou o ex-presidente da República."

Ao citar a data celebrada hoje, Lula argumentou que, ao longo de "milênios de existência da humanidade", não se pode mais tolerar a desigualdade de gênero em nenhuma área da vida e que, no mercado de trabalho, o mesmo se aplica.

O chefe do Poder Executivo concluiu o discurso com uma mensagem sobre a punição dos autores dos atos relacionados à tentativa de golpe, em 8 de janeiro, quando buscaram anular a vitória dele sobre Jair Bolsonaro.

"Todas as pessoas serão presas, porque esse é um país de democracia de verdade", disse ele, concluindo a fala sob aplausos e gritos de "Sem anistia" dos manifestantes.

Lula compareceu ao evento acompanhado de comitiva composta pelos ministros Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego, Paulo Pimenta, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Cida Gonçalves, das Mulheres, e da presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, a deputada federal Gleisi Hoffmann.

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