Bruno Henrique é condenado pelo STJD a 12 jogos de suspensão e multa de R$ 60 mil por manipulação em partida contra o Santos

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O atacante Bruno Henrique, do Flamengo, foi condenado nesta quarta-feira (3) pela 1ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por manipulação de resultado esportivo. O julgamento, que durou cerca de oito horas, analisou a conduta do jogador durante a partida contra o Santos, em novembro de 2023, quando o atleta recebeu um cartão amarelo de forma considerada proposital.

A pena, que poderia chegar a dois anos de suspensão, 24 partidas de afastamento e multa de até R$ 200 mil, foi fixada em 12 jogos de suspensão e multa de R$ 60 mil. Apesar da condenação unânime, os auditores divergiram em relação a partes da denúncia, o que reduziu a penalidade.

Bruno Henrique, que está de folga devido à Data Fifa, não compareceu presencialmente ao julgamento. Ele acompanhou a sessão de forma remota, manteve-se em silêncio na maior parte do tempo e utilizou o direito de não responder a perguntas. Em breve manifestação, reafirmou sua inocência: “Jamais cometi as infrações que estou sendo acusado. Confio na Justiça Desportiva”.

Defesa e acusação
A defesa do jogador alegou que o caso estava prescrito, já que a denúncia, arquivada em 2023, foi reaberta em 2025, ultrapassando o prazo de 60 dias previsto pelo Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). O advogado Alexandre Vitorino sustentou ainda que as apostas mencionadas em conversas de Bruno Henrique com o irmão eram sobre corridas de cavalos, e não sobre futebol. O Flamengo também declarou apoio irrestrito ao atleta.

Já a Procuradoria argumentou que novos elementos apresentados pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Jogo Limpo e da Operação Spot-fixing, justificavam a reabertura do caso. Foram exibidos vídeos de apostadores que afirmavam ter conhecimento prévio de que o atacante receberia um cartão amarelo. O procurador Caio Porto Ferreira destacou que, mesmo sem apostas diretas do jogador, forçar um cartão é conduta antiética e fere a integridade esportiva.

Como votaram os auditores
O relator Alcino Guedes rejeitou a acusação de que Bruno Henrique tenha prejudicado sua equipe, mas acolheu a denúncia de violação da ética desportiva, propondo a pena aplicada de 12 jogos e multa de R$ 60 mil. Os auditores William Figueiredo e Carolina Ramos acompanharam o voto.

Já Guilherme Martorelli divergiu parcialmente, sugerindo multa de R$ 100 mil, mas também pela condenação. O presidente da Comissão, Marcelo da Rocha Ribeiro Dantas, seguiu o relator.

Outros acusados
Além de Bruno Henrique, também foram julgados seu irmão, Wander Nunes Pinto Júnior, e os amigos Claudinei Vitor Mosquete Bassan, Andryl Sales Nascimento dos Reis e Douglas Ribeiro Pina Barcelos. Todos foram condenados a 24 partidas de suspensão cada, mas sem multa, por serem atletas amadores.

Próximos passos
A defesa do atacante pode recorrer ao Pleno do STJD, última instância da Justiça Desportiva, com possibilidade de pedido de efeito suspensivo. Caso haja novo recurso, o processo ainda pode chegar à Corte Arbitral do Esporte (CAS), na Suíça.

Na esfera criminal, Bruno Henrique também é réu. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) apresentou denúncia por fraude em competições esportivas, já aceita parcialmente pela 7ª Vara Criminal de Brasília. Caso seja condenado, o jogador pode pegar de dois a seis anos de prisão, conforme previsto na Lei Geral do Esporte.