Carla Zambelli renuncia ao mandato de deputada federal em meio a imbróglio jurídico e prisão na Itália

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A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) renunciou ao cargo neste domingo (14). A carta de renúncia foi entregue à Câmara dos Deputados e a informação confirmada pela assessoria da presidência da Casa. A manobra ocorre enquanto a parlamentar se encontra detida na Itália, após fugir do Brasil devido a condenações criminais definitivas.

Segundo o comunicado oficial, Zambelli informou à Secretaria-Geral da Mesa sua decisão de deixar o mandato parlamentar imediatamente. Com a vacância, quem assume a cadeira é o suplente do Partido Liberal de São Paulo, Adilson Barroso.

Estratégia da Defesa
O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), confirmou que a renúncia trata-se de uma estratégia conjunta da defesa. O objetivo é evitar o desgaste político de uma cassação formal e tentar impedir o retorno forçado da parlamentar ao Brasil.
“A renúncia vai dar a ela mais possibilidades de defesa para ser solta e permanecer na Itália", afirmou Cavalcante.

Corrida contra o tempo e conflito entre Poderes
A renúncia de Zambelli ocorre em um momento de tensão institucional entre a Câmara e o Supremo Tribunal Federal (STF).
  • Câmara rejeita cassação: Na última quarta-feira (10), o plenário da Câmara decidiu manter o mandato de Zambelli. Foram 227 votos a favor da cassação, 170 contrários e 10 abstenções. Eram necessários 257 votos para a perda do mandato.
  • STF determina perda do cargo: Na sexta-feira (12), a Primeira Turma do STF (com votos dos ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia) confirmou, por unanimidade, a decisão do ministro Alexandre de Moraes que decretava a perda automática do mandato.
A deputada conseguiu renunciar porque a decisão do STF ainda não havia sido formalizada junto à Câmara. Sem a notificação oficial, a Casa não pôde executar a determinação judicial imediatamente, abrindo a brecha para o ato voluntário de renúncia.

As Condenações
A situação jurídica de Carla Zambelli agravou-se após duas condenações principais:
  • Invasão ao CNJ (10 anos de prisão): Zambelli foi condenada, com sentença definitiva em junho, por contratar o hacker Walter Delgatti Neto para invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça. Segundo a PGR, o objetivo era inserir documentos falsos — incluindo um mandado de prisão fake contra Alexandre de Moraes — para deslegitimar o Judiciário.
  • Perseguição Armada (5 anos e 3 meses): A ex-deputada também foi condenada pela perseguição armada a um apoiador do presidente Lula, ocorrida na véspera do segundo turno das eleições de 2022.
Como as condenações criminais transitaram em julgado (não cabem mais recursos), os direitos políticos de Zambelli estão suspensos. Ela fica impedida de votar ou se candidatar enquanto durarem as penas.

Fuga e Prisão na Europa
Após a confirmação da sentença em junho, Zambelli fugiu para a Itália. Considerada foragida e incluída na lista da Interpol, ela foi presa recentemente nos arredores de Roma. O governo brasileiro já formalizou o pedido de extradição, que ainda aguarda análise da justiça italiana.