O casal de médicos preso suspeito de atuar de forma ilegal no pronto-socorro de Santo Antônio da Platina (47 km de Ourinhos), no norte pioneiro do Paraná, teve autorização da Justiça para ser solto.
De acordo com a investigação, a médica do pronto-socorro permitia que o marido dela, que não tem registro médico profissional, atendesse pacientes durante os plantões dela. Ele prescrevia as receitas para, depois, a esposa médica assinar.
Uma fiança de R$ 10 mil, para cada um dos suspeitos, foi determinada para a soltura, mas a defesa recorreu e eles foram liberados mesmo sem o pagamento. As informações são do g1.
Conforme a decisão, de sábado (14), a esposa e o marido respondem como coautores pelo exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica. Eles foram presos em flagrante durante cumprimento de mandado de busca e apreensão na unidade de saúde.
A médica Pri... T. B., de 30 anos, tem registro no Conselho Regional de Medicina (CRM).
Já o marido dela, Jo.. A. A. I. M., de 28 anos, disse à polícia ser formado em medicina no Paraguai, mas não possui o registro de atuação no Brasil para exercer a profissão, conforme a polícia.
"A informação que chegou é que ela, normalmente, ficava nos aposentos, principalmente à noite, e sempre estava dormindo. E ele dava todos os atendimentos, ele que receitava, ele que escrevia os prontuários de todos os pacientes ali. Diante dessa informação, foi pedido um mandado de busca e apreensão", disse o investigador.
Em depoimento à polícia, a médica não quis dar qualquer explicação. Melo falou apenas que no momento da prisão não estava atendendo.
Três pacientes, ouvidos pelos policiais na porta do hospital, confirmaram as informações ao delegado da cidade.
A Secretaria de Saúde de Santo Antônio da Platina informou que iniciou a apuração dos fatos ao ser comunicada do ocorrido no pronto-atendimento.
Conforme a decisão, a médica não teve suspensão do CRM no momento, pois não há, além do caso investigado, outras informações de negligência a respeito dela.
Investigação
Para a investigação interna, a Secretaria Municipal de Saúde disse que solicitará informações ao responsável técnico, ao chefe do pronto-socorro e aos prestadores de serviços de plantões médicos para apurar possíveis irregularidades e, através de procedimento administrativo, impor eventuais responsabilidades.
O município informou ainda que todo serviço prestado nos plantões médicos do município, como é o caso do serviço do pronto-socorro, são operados por uma empresa terceirizada, que deverá prestar esclarecimentos sobre o caso.
De maneira informal, o suspeito disse à polícia que é formado em medicina no Paraguay e, por isso, tinha autorização da prefeitura para estagiar na unidade.
Entretanto, segundo a Polícia Civil, a lei federal só permite que estudantes façam estágios, o que não é o caso dele, que terminou a faculdade. Além disso, que o suspeito não podia atuar como médico no Brasil sem a revalidação do diploma.
Além dos depoimentos dos investigadores e testemunhas, como provas na investigação, a Polícia Civil também apreendeu os celulares do casal e 13 prontuários de atendimento médico dos dias 12 a 14 de maio. Esse último, data da prisão.
Nos documentos, há informações sobre pressão e temperatura dos pacientes, o que disseram estar sentindo, além de prescrição de medicamentos e pedidos de exames.
Em todos documentos a escrita é muito semelhante e, no final, há a assinatura de Pri.. T. B.
Todo o conteúdo publicado no site, incluindo textos, fotografias, vídeos, artes, logotipos e demais materiais jornalísticos, é protegido pela Lei de Direitos Autorais (Lei Federal nº 9.610/98).
É expressamente proibida a reprodução, cópia, distribuição, retransmissão ou utilização total ou parcial de qualquer conteúdo deste portal sem autorização prévia e formal do site Passando a Régua.
A utilização indevida de material protegido poderá resultar em responsabilização civil e criminal, conforme previsto na legislação brasileira.
O compartilhamento de links das matérias é permitido, desde que preservada a autoria e a integridade do conteúdo.



