Casas Bahia tem prejuízo de R$ 10,1 bilhões e pode pedir recuperação judicial

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A crise financeira da Casas Bahia ganhou um novo capítulo após a varejista divulgar um prejuízo líquido contábil de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 e admitir, pela primeira vez, que avalia recorrer a uma nova recuperação extrajudicial ou até mesmo à recuperação judicial para reorganizar suas dívidas.

O anúncio ocorre poucos dias
após o fechamento da tradicional unidade da empresa no Calçadão de Ourinhos, na Rua Paraná, encerrada na última sexta-feira (14) como parte do plano nacional de reestruturação.

Loja de Ourinhos foi uma das 298 fechadas
Em Ourinhos, o encerramento das atividades surpreendeu funcionários e clientes. A unidade ocupava um dos pontos comerciais mais tradicionais do centro da cidade, no prédio que anteriormente abrigou a antiga Ponto Frio.

Segundo informações apuradas pelo Passando a Régua, a loja contava com 10 funcionários. Sete foram demitidos, enquanto três colaboradores foram transferidos para a outra unidade da Casas Bahia, na Rua Antônio Carlos Mori, que permanece em funcionamento.

O Sindicato dos Comerciários de Ourinhos informou que está prestando assistência jurídica e trabalhista aos trabalhadores durante o processo de rescisão.

O que levou a empresa à crise?
Embora as vendas tenham registrado um leve crescimento, a companhia afirma que enfrenta um cenário econômico difícil, marcado por juros elevados, crédito caro e consumidores com menor capacidade de compra.

Além disso, fornecedores reduziram os limites de crédito concedidos à empresa, obrigando a Casas Bahia a diminuir o volume de compras e operar em uma escala menor.
Entre os principais números do balanço estão:
  • Prejuízo contábil: R$ 10,1 bilhões;
  • Prejuízo ajustado: R$ 978 milhões;
  • Receita líquida: R$ 6,98 bilhões (+1,6%);
  • Dívida líquida: R$ 1,2 bilhão;
  • Patrimônio líquido: negativo em R$ 8,2 bilhões.
Dos R$ 10,1 bilhões de prejuízo, cerca de R$ 9,1 bilhões são decorrentes de efeitos extraordinários, como ajustes contábeis, contingências judiciais, baixa de ativos e custos da própria reestruturação.

Recuperação judicial é uma possibilidade
Em comunicado ao mercado, a empresa reconheceu que estuda alternativas para reorganizar seus passivos, incluindo uma recuperação judicial, caso as medidas operacionais e financeiras não sejam suficientes para garantir a continuidade das atividades.

A preocupação foi reforçada pela auditoria independente Ernst & Young, que apontou uma incerteza relevante sobre a capacidade de continuidade operacional da companhia, destacando que as obrigações de curto prazo superam os ativos disponíveis.

Enquanto reduz sua estrutura física, fecha 298 lojas e demite cerca de 1,9 mil colaboradores em todo o país, a Casas Bahia pretende concentrar seus investimentos em tecnologia, logística e canais digitais, buscando recuperar liquidez e estabilizar suas operações.
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