Cerveja contaminada teria matado uma pessoa em Minas Gerais

Empresa vai retirar lote de cerveja contaminada de circulação. Polícia identificou substância na bebida que pode ter provocado uma doença misteriosa que contaminou ao menos oito pessoas, deixando um morto.
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Uma análise feita pela perícia da Polícia Civil encontrou uma substância chamada dietilenoglicol em dois lotes da cerveja Belorizontina, da cervejaria Backer. A análise foi feita em meio às investigações sobre uma doença misteriosa que matou uma pessoa em Belo Horizonte. Sete permanecem internados.

De acordo com o laudo, "as amostras de cerveja encaminhadas pela vigilância sanitária do Município de Belo Horizonte (cerveja pilsen marca Belorizontina) lotes L1 1348 e L2 1348) foi identificada a presença de substância dietilenoglicol em exames preliminares".

Em coletiva de imprensa na noite desta quinta-feira (9), as autoridades pediram para que os consumidores que tiverem garrafas que correspondem a esses lotes evitem o consumo e, se possível, entreguem às autoridades para a continuidade das investigações.

As amostras analisadas pela perícia foram feitas em quatro garrafas que estavam na casa dos pacientes que apresentaram sintomas de uma síndrome renal neurológica.

De acordo com o superintendente de Polícia Técnico-Científica da Polícia Civil, Thales Bittencourt o inquérito foi aberto hoje e ainda não é possível afirmar que a substância causou a intoxicação ou que a empresa tem responsabilidade no fato. O inquérito fica pronto em 30 dias. 

— No momento só é possível afirmar que foi encontrada essa substância em amostras recolhidas na casa de pacientes

A cervejaria Backer ainda não se manifestou sobre o laudo divulgado pela Polícia Civil. A reportagem tentou contato com a defesa da empresa, mas não obteve resposta.

 

Substância

Cervejaria diz que coopera com investigações Gisele Ramos / Record TV Minas - 10.01.2020

O dietilenoglicol é uma substância química anticongelante utilizada no processo de resfriamento nas serpentinas durante a fabricação da cerveja.

As oito pessoas identificadas com a síndrome, até o momento, apresentaram sintomas gastrointestinais, como náusea, vômito e dor abdominal associadas a uma insuficiência renal grave e de rápida evolução. Os pacientes também apresentaram outros sintomas, como paralisia facial, borramento visual, perda de visão, taquicardia e paralisia descendente.

Morte

Paschoal Demartini estava internado em Juiz de Fora Reprodução / Record TV Minas

 

Paschoal Demartini Filho, de 55 anos, estava hospitalizado em Juiz de Fora, a 270 km de Belo Horizonte. A SES (Secretaria de Estado de Saúde) foi notificada sobre o quadro dele no último 31 de dezembro.

Demartini Filho foi internado com os mesmos sintomas que outros seis homens, com idades entre 23 e 76 anos. Ao menos três deles moram no bairro Buritis, uma área nobre da região Oeste de Belo Horizonte, onde Demartini passou as festas de fim de ano com a família.

Segundo a SES, os doentes apresentaram náusea, vômito, dores abdominais, paralisia facial, perda de visão parcial ou total, alteração de sensório e paralisia descendente. O quadro dos enfermos teve piora rápida, em até 72 horas.

A causa da doença ainda é investigada. Uma força-tarefa formada por representantes de órgãos municipais, estaduais e federais foi montada para apurar o caso.

Após o registro das ocorrências, o Governo de Minas determinou que os médicos devem alertar a Secretária de Saúde em até 24 horas caso atendam algum paciente com sintomas parecidos.

A Funed (Fundação Ezequiel Dias) está realizando exames laboratoriais para analisar a possível ocorrência de doenças como "arboviroses, febres hemorragicas, infecções bacterianas e fungicas sistêmicas, doenças neurolinvasivas e intoxicações exógenas".

Paschoal Demartini Filho morava com família em Ubá, a 240 km de Belo Horizonte. O corpo do homem será transferido para a capital mineira, onde vai passar pelo exame de necrópsia.

Informações R7