Comunidade católica se despede de Bento, o cachorro inseparável de padre na região

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A cidade de Palmital, localizada a 50 quilômetros de Ourinhos, viveu um momento de tristeza nesta terça-feira, 6, com a partida de Bento, o cachorro que era inseparável de seu tutor, o padre Luiz Fernando Dias. O animal de estimação faleceu durante a noite e foi sepultado em um jardim próximo à Igreja Santo Antônio, comovendo toda a comunidade católica.

"Estamos muito sentidos com a partida do Bento. Aqui, todos estão lamentando, mas o que eu disse durante o enterro é que é um ciclo que se fecha", afirmou o padre. Ele revelou que Bento vinha lutando contra um tumor no cérebro, descoberto no Carnaval deste ano. Desde então, o cão precisou passar por tratamentos veterinários e internações em diversas ocasiões. "Ele teve altos e baixos. Quando melhorava, era liberado. Mas nos últimos três dias, ele estava internado".

Padre Luiz e seu inseparável pet, o Bento — Foto: Arquivo pessoal

A morte de Bento motivou uma nota de pesar por parte da Paróquia Santo Antônio nas redes sociais, evidenciando a importância do cão como companheiro do pároco. "Bento, companheiro do nosso pároco, está nas mãos do Pai. Sentiremos muito sua falta, Bento, nas missas junto conosco. Ficam as lembranças", informou o comunicado, que trouxe o conforto e os sentimentos de toda a comunidade paroquial de Santo Antônio.

Durante os últimos oito anos, o padre Luiz Fernando e Bento formaram uma dupla inseparável. O cão sempre acompanhava seu tutor em todas as celebrações religiosas, desde missas até casamentos e batizados. Com seu temperamento dócil, o animal conquistou a cidade e se tornou um verdadeiro membro da comunidade católica. O bispo também não se incomodava com a presença do cachorro nas atividades da igreja, pois também é um amante dos animais.

Bento costumava esperar seu tutor encerrar as bênçãos para se aproximar do púlpito, mas em algumas ocasiões ele roubava a cena. Em determinadas festividades, o cãozinho até assumia o protagonismo, como na missa de benção aos animais, no Dia de São Francisco de Assis em outubro de 2022.

Além de adorar tirar fotos e saber posar para o flash, Bento era tão popular que muitas pessoas na cidade o conheciam mais do que o próprio padre. "Ele é mais conhecido do que eu. Algumas pessoas não sabem meu nome, mas conhecem o Bento. Então, eu sou o 'padre do cão Bento'", disse o religioso em uma entrevista ao site g1 no ano passado.

A família de Luiz sempre foi apaixonada por animais, e estes sempre estiveram presentes em sua vida desde a infância. Antes de Bento, o padre teve outro companheiro canino por muitos anos, mas ele acabou falecendo devido a problemas renais. Pouco tempo depois, Bento chegou à vida do padre, com cerca de dois meses de idade, de uma integrante da paróquia. O nome foi escolhido em votação entre os coroinhas como uma homenagem ao então Papa Bento XVI.

Pequeno Bento, que hoje tem sete anos e 40 quilos, então filhote — Foto: Arquivo pessoal

Bento tinha porte grande, com aproximadamente 40 quilos, e era filhote de rottweiler com pastor alemão. Ele conviveu muito bem com outro pet do padre, o gato Biscoito. Ambos dormiam no quarto de Luiz, o bichano a seus pés e o cão em uma cama própria, com colchão.

Enquanto o gato tem "vida própria", o cão ficava a tira-colo com o religioso, seguindo-o até mesmo em consultas médicas e viagens. Bento conheceu diversos estados brasileiros e chamava a atenção por onde passava.