Crise na UTI Neonatal da Santa Casa de Santa Cruz do Rio Pardo: seis médicos pedem desligamento e unidade corre risco de paralisação

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A UTI Neonatal da Santa Casa de Santa Cruz do Rio Pardo enfrenta uma crise que ameaça o funcionamento do setor. Nesta terça-feira (21), seis médicos, incluindo a responsável técnica, Dra. Kátia Bernardes Henares, entregaram seus cargos de plantonistas. O grupo alega falta de condições adequadas de trabalho, redução no número de profissionais e impossibilidade de manter a assistência 24 horas.

De acordo com informações do jornal Diário Cidadão, os problemas já haviam sido comunicados anteriormente à direção do hospital, mas não houve solução. Um dos pontos de maior insatisfação é a defasagem salarial: os médicos da Santa Casa recebem R$ 120 por hora, valor inferior ao pago por outras cidades da região, onde o valor chega a R$ 160 por hora. Segundo fontes médicas, o setor não tem reajuste há sete anos.

A gerente administrativa da Santa Casa, advogada Roselis Franciscon, confirmou ao site Diário Cidadão que o valor pago é de R$ 120 por hora e que tratativas com a Prefeitura estão em andamento para rever a remuneração. Ela negou que a unidade vá fechar e afirmou que, em até 30 dias, novos profissionais serão contratados para garantir o funcionamento da UTI.

A Dra. Kátia Henares, que esteve à frente da unidade por 19 anos, publicou uma carta aberta à comunidade nesta quarta-feira (22). No texto, ela relata que ajudou a fundar a UTI Neonatal por meio da ONG Maria Vitória, criada após a morte de uma recém-nascida — fato que motivou sua luta pela estruturação do serviço em Santa Cruz do Rio Pardo.

Na carta, Kátia afirma que o ambiente se tornou “insustentável” devido à falta de diálogo e à interferência política na gestão do hospital. “Enviei ofícios, busquei conversas, pedi ajuda. Não houve resposta. Vi colegas desistindo e profissionais adoecendo”, escreveu.

A médica conclui dizendo que sua saída é definitiva, mas que continua acreditando na importância do atendimento humanizado e na valorização da medicina feita “com alma e vocação”.

Com o desligamento coletivo, a Santa Casa tem 30 dias para recompor a equipe e evitar a interrupção dos atendimentos na UTI Neonatal, que é referência no atendimento a recém-nascidos de alto risco na região.



NOTA À IMPRENSA
A Prefeitura Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo vem a público, diante das recentes notícias publicadas por veículos de comunicação, manifestar-se.

Em julho deste ano, a administração municipal encerrou a intervenção administrativa na Santa Casa de Misericórdia, vigente desde 2020. Com o término da intervenção, a Santa Casa voltou a ter plena autonomia em sua gestão, retomando a responsabilidade por suas próprias decisões administrativas, financeiras e operacionais, inclusive quanto à contratação e ao desligamento de profissionais.

Mesmo após o encerramento da intervenção, a Prefeitura segue garantindo apoio financeiro essencial à manutenção dos serviços hospitalares. Atualmente, o município realiza repasse por especialidade médica, contemplando as áreas de cardiologia, obstetrícia, pediatria, clínica médica, clínica cirúrgica, neurologia, anestesia, ortopedia, UTI adulto e UTI neonatal. Os valores do repasse são de R$ 120 por hora para o plantão presencial e R$ 40 por hora para o plantão à distância.

O investimento totaliza o valor de R$ 7.500.000 por ano, além de mais R$ 240.000 por mês para pagamento de dívida da administração anterior com a Santa Casa, repassado por meio de convênio com a Santa Casa, que é a responsável direta pela contratação dos plantonistas.

A Prefeitura reforça que tem mantido suas obrigações em dia, com as contas equilibradas e compromissos cumpridos, e que permanece à disposição para colaborar com a instituição dentro das possibilidades legais, visando sempre a continuidade e a qualidade do atendimento à população. A prefeitura reafirma o compromisso com a Santa Casa e com a população de que a UTI não será fechada.