O editor de site e “radialista”, Bruno Maia, de 27 anos, foi condenado ao cumprimento de pena de 5 anos e 10 meses de reclusão em regime fechado e ao pagamento de 583 dias-multa por tráfico de drogas, pela 2ª Vara Criminal de Botucatu (SP) (180 km de Ourinhos). A sentença foi proferida no último dia 23 de agosto de 2022 e Bruno poderá recorrer em liberdade, no prazo de 15 dias úteis.
“Ante o exposto e considerando o mais que dos autos consta, JULGO PROCEDENTE o pedido para condenar o acusado BRUNO MAIA DA SILVA ao cumprimento da pena de 5 anos e 10 meses de reclusão, em regime fechado e ao pagamento de 583 dias-multa, por infração ao artigo 33, caput, c.c. artigo 40, III, ambos da Lei 11.343/06. Inviável a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos e a aplicação do “sursis”, em razão de não estarem presentes os requisitos previstos nos artigos 44 e 77 do Código Penal.
Concedo ao réu o direito de recorrer em liberdade”, destaca a juíza, no despacho do processo: 1500177-82.2021.8.26.0573. Procedimento Especial da Lei Antitóxicos - Tráfico de Drogas e Condutas Afins.
O Passando a Régua entrou em contato com Maia, que disse que ainda não foi notificado da sentença, porém, diante de decisão desfavorável, sua defesa deverá recorrer.
Em sua rede social, Bruno compartilhou um vídeo em frente da CPJ de Ourinhos, onde afirma não consta nenhum mandado de prisão contra ele.

Sobre o caso
De acordo o boletim de ocorrência, registrado na Delegacia Seccional de Botucatu, no dia 18 de junho de 2021, Bruno foi flagrado por policiais militares portando sete porções de cocaína 5,59g (cinco gramas e cinquenta e nove centigramas), em frente da Escola Estadual “Pedro Torres”, na Rua Amando de Barros, em Botucatu.
Os policiais contaram que receberam uma denúncia anônima informando que uma pessoa vestindo calça jeans de cor azul e camisa de cor verde (mesma vestimenta de Bruno) estaria praticando o tráfico de entorpecentes em frente à escola Pedro Torres. Por volta das 16h30 daquele dia, encontraram Bruno Maia da Silva, indagado sobre a denúncia que o incriminava, acabou por admitir ter consigo as sete porções de cocaína, retirando-as do bolço traseiro de sua calça.
Perguntado sobre o motivo e as circunstâncias em que obteve a droga, Bruno disse aos policiais que uma pessoa que não desejava identificar e para quem "deve uma situação", solicitou que trouxesse o entorpecente devendo entregá-lo, em frente à escola, para um desconhecido que chegaria em um veículo GM Astra de cor preta.
Ainda, segundo Bruno contou aos policiais, este pegou as porções de cocaína na noite anterior com a pessoa que não identificou nos "predinhos da Vila Jardim" em Botucatu.
Na delegacia de Botucatu, Bruno confirmou o que contaram os militares, diferindo apenas no ponto em que afirma ter pegado a droga na noite anterior na "Praça do Cachoeirinha" e não nos predinhos.
Com Bruno, que não trazia consigo dinheiro, foi apreendido um telefone celular, além das sete porções de cocaína. Bruno foi autuado em flagrante pela prática de tráfico de entorpecentes e encaminhado à Cadeia Pública de Itatinga onde permaneceu à disposição da justiça, mas conseguiu o direito de responder em liberdade.
De acordo com os autos do processo, em juízo, Bruno, que era comerciante em Botucatu, mas no BO aparece como ‘desempregado”, contou que foi contato por um rapaz, chamado Pedro, que havia conhecido há aproximadamente 6 meses, lhe cobrando um favor que devia.
Segundo Bruno, em abril de 2021, ele acabou se envolvendo em uma briga em um estabelecimento comercial em Botucatu, e foi ameaçado, e pediu ajuda para o tal Pedro, que frequentava seu estabelecimento, para resolver essa situação. Ele (Pedro) lhe ajudou e após o ocorrido mantiveram contato. Mais ou menos 15 dias antes de sua prisão, ele lhe ligou e pediu que fizesse um favor, como forma de compensar o favor que lhe havia feito.
Num primeiro momento, Bruno disse que se negou, contudo, 3 dias antes dos fatos, Pedro foi até seu estabelecimento e novamente lhe cobrou o favor, em tom de ameaça. Esse favor consistia em buscar uma encomenda em um condomínio chamado Cachoeirinha em Botucatu e entregasse a uma pessoa que iria passar na Rua Amando de Barros, num veículo preto.
Então, Bruno afirmou que seguiu as instruções e foi até o local onde a pessoa iria recolher a encomenda. Bruno ainda disse que não sabia qual era o conteúdo da encomenda, antes de pegá-la, mas soube que era droga quando foi retirá-la. O jornalista disse também, que era proprietário de uma lanchonete em Botucatu. Não ia receber nenhuma importância pelo serviço realizado, apenas era uma forma de retornar o favor.
Porém, a juíza não considerou a apelação da defesa de Bruno, pois a quantidade e variedade de entorpecentes apreendida somada à denúncia anônima recebida pelos policiais, já é suficiente para a caracterização do tráfico ilícito de entorpecentes. Já que a simples ação de guardar e ter em depósito os entorpecentes, para o fim de entrega a consumo de terceiros, já caracteriza o crime do artigo 33, caput, da Lei no 11.343/06.
A situação de Bruno se agrava ainda mais, pelo fato de ter sido preso nas proximidades de uma escola.
“Por fim, a incidência da causa de aumento disposta no artigo 40, inciso III, da Lei de Drogas não pode ser afastada, pois ficou devidamente comprovada a prática da traficância nas imediações do estabelecimento de ensino E.E. Pedro Torres”, destaca a juíza.
Sobre Bruno Maia
Logo após o ocorrido, Bruno, que é natural de Barueri (SP) e estava em Botucatu (SP), resolveu vir atuar em Ourinhos (SP). Um mês depois ele teria iniciado a página e um site chamado “Ourinhos Online TV”, o qual mantinha juntamente com o jornalista Valdir Antônio Bizarro, que foi encontrado morto em sua casa, na Cohab de Ourinhos, no dia 15 de julho de 2022 (clique e relembre).
Agora o site se chama “Notícias Ourinhos” e Bruno atua também na rádio “Melodia FM”, a qual tem o secretário de Serviços Urbanos da Prefeitura de Ourinhos, Inácio J. B. Filho como companheiro de emissora. Bruno apresenta na rádio um programa chamado “Café com Política”, onde elogia a atual gestão municipal e, por muitas vezes, critica aqueles que se opõem ao prefeito Lucas Pocay (PSD), o qual aparece em várias imagens em suas redes sociais o apoiando, desde 2020.

(Foto: Reprodução/ Facebook)
Também em suas redes sociais, Bruno afirma que atuou como assessor de política do PSD, partido do prefeito Lucas Pocay.





