O empresário ourinhense Alexandre Mariani, dono de seis lojas no ramo de calçados, admitiu, na manhã desta segunda-feira, 23, que se as medidas para conter o coronavírus se estender por 30 dias poderá deixar de faturar com suas lojas mais de R$1 milhão.
“Não seria prejuízo, eu deixaria de ganhar na casa do um milhão”, declarou o empresário ao ser questionado pelo jornalista Laperuta Júnior, na manhã desta segunda-feira, 23, que fazia uma transmissão ao vivo para as redes sociais do Passando a Régua. (Veja o vídeo abaixo)
Alexandre falou que aguarda mais atitudes do Governo para definir o que poderá ser feito para prejudicar o mínimo possível os seus funcionários e colabores.
“Nós estamos aguardando o governo tomar mais atitudes, para definirmos como ficará a situação dos nossos colaboradores. E não sabemos se serão 15, 30 ou 60 dias”.
“Todos sentirão a crise. Árvores grandes dão tombos muito grandes. Nós estamos em uma situação complicada desde 2014. O governo vem tomando algumas atitudes. Nós precisávamos de uma decisão definitiva”, falou o empresário, que ainda não definiu se será concedido férias coletivas, banco de horas, descanso remunerado em suas empresas.
Sobre a situação do Brasil e a luta contra o coronavírus, Alexandre acredita que o problema é realmente muito sério e tem que respeitar as medidas adotadas pelo governo.
“A situação realmente é grave. Não é para resolver o problema é para prevenir. Se ela (COVID-19) se alastrar muito rápido, muita gente pode morrer. E os mais prejudicados são os idosos”.
Comércio de Ourinhos

Comércio de Ourinhos na manhã desta segunda-feira, 23. Poucas lojas funcionaram (Foto: Laperuta)
Respeitando o decreto do governador João Dória, todo comércio de Ourinhos estará de portas fechadas pelo período de 15 dias, a partir desta terça-feira (24) até o dia 7 de abril. Apenas serviços essenciais poderão funcionar:
Poderão continuar funcionando
- Hospitais, clínicas, farmácias e clínicas odontológicas
- Transporte público
- Transportadoras e armazéns
- Empresas de telemarketing
- Pet shop
- deliverys
- supermercados, mercados e padarias
- limpeza pública
- postos de combustível
Terão de fechar as portas
- Bares
- Restaurantes
- Cafés
Estava prevista para esta segunda-feira, 23, uma reunião entre os representantes dos empresários do comércio e o sindicato dos Comerciários de Ourinhos e região para definir como seriam feitos os acordos entre patrões e empregados, mas como houve a publicação do Decreto Federal da Medida Provisória 927, a reunião foi adiada, pois a medida estabelece que os acordos podem ser firmados diretamente entre patrão e emprego, sem a interferência do sindicato.
A medida estabelece, como formas de combater os efeitos do novo coronavírus sobre o mercado de trabalho e a economia, a possibilidade de se estabelecer:
- teletrabalho (trabalho a distância, como home office)
- regime especial de compensação de horas no futuro em caso de eventual interrupção da jornada de trabalho durante calamidade pública
- suspensão de férias para trabalhadores da área de saúde e de serviços considerados essenciais
- antecipação de férias individuais, com aviso ao trabalhador até 48 horas antes
- concessão de férias coletivas
- aproveitamento e antecipação de feriados
- suspensão de exigências administrativas em segurança e saúde no trabalho
- adiamento do recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)
O presidente da ACE (Associação Comercial e Empresarial de Ourinhos) Robson Martuchi, destacou que a ACE irá elaborar uma cartilha sobre a MP 927 para orientar os empresários e os empregados.
“Nós estamos montando dois informativos baseados na MP 927 e também no decreto do governador do estado para ajudar os comerciantes e todos do comércio”.
Martuchi ainda comemorou a revogação do artigo 18 da MP 927, que admitia que o empregador não precisaria pagar salário no período de suspensão contratual, mas "poderia conceder ao empregado ajuda compensatória mensal" com valor negociado entre as partes.
“Ficamos contentes com a revogação, pois não faz sentido mandar o trabalhador para casa sem ele ter renda. Acho uma medida sensata, todo mundo pode errar, mas é muito bom quando corrige, como fez o presidente Bolsonaro”, finalizou.
Veja o vídeo abaixo:
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