Empresário envolvido em acidente no centro de Ourinhos agora é acusado de coagir e ameaçar enfermeira do SAMU

Compartilhe:
O que começou como um grave acidente de trânsito no centro de Ourinhos, no último dia 7 de dezembro, desdobrou-se em um caso de polícia ainda mais complexo neste domingo (21). O empresário M. E. R., de 47 anos, foi preso em flagrante pela Guarda Municipal na Central de Atendimento do SAMU, acusado de coação no curso do processo (Art. 344 do Código Penal).

De acordo com as autoridades, o empresário estaria perseguindo e intimidando uma enfermeira para que ela alterasse um relatório oficial de atendimento, onde consta que ele apresentava sinais de embriaguez na noite do acidente.

A Coação: Perseguição e Ameaças de Morte
Segundo o Boletim de Ocorrência, a enfermeira de 44 anos relatou que, desde o acidente, M. tem procurado a unidade do SAMU reiteradamente. O objetivo do empresário era forçá-la a remover do relatório técnico a informação de que ele estava "alterado, provavelmente sob efeito de álcool" e que teria admitido a ingestão de bebida alcoólica no momento do socorro.

A situação escalou na última sexta-feira, 19, quando a coordenação do SAMU informou que o empresário esteve no local proferindo ameaças graves. Testemunhas relataram que M. teria dito que iria "matar todo mundo" e "meter bala" caso não recebesse o dinheiro do seguro de seu carro, afirmando que "não tinha mais nada a perder".

A perseguição também teria ocorrido no ambiente virtual, com tentativas de seguir a vítima e sua irmã em redes sociais. Na manhã deste domingo (21), M. voltou à base do SAMU acompanhado da mãe e da irmã, onde passou a pressionar a enfermeira em tom desrespeitoso, momento em que a Guarda Municipal foi acionada e efetuou a prisão.

A Versão do Empresário
Em depoimento à Polícia Civil, M. E. admitiu ter procurado a enfermeira, mas negou as ameaças e a perseguição. Segundo ele, sua preocupação é estritamente financeira: ele acredita que, com o relatório apontando embriaguez, a seguradora poderá negar o pagamento dos danos.

O empresário alegou que não estava bêbado no dia do acidente, mas sob efeito de medicamentos, e sugeriu que a enfermeira deveria ter usado o termo "suspeito" em vez de afirmar a alteração psicomotora. Ele afirmou ainda que foi orientado por um advogado a procurar a profissional para "tentar ajudar na situação".

Relembre o Acidente
O caso que deu origem à coação ocorreu na madrugada de 7 de dezembro, no cruzamento das ruas Euclides da Cunha e Dr. Antônio Carlos Mori. Na ocasião, o empresário perdeu o controle de sua caminhonete e atingiu seis veículos (duas caminhonetes, duas motos e dois carros) que estavam estacionados em frente a um bar movimentado.
  • Linchamento: Logo após a colisão, M. foi agredido por populares e precisou de atendimento médico por estar ensanguentado.
  • Defesa técnica: Na época, ele alegou falha mecânica na caminhonete e negou o consumo de álcool.
  • Investigação: A polícia ainda aguarda o resultado dos exames de sangue do IML para confirmar ou descartar a embriaguez ao volante.
Decisão Judicial e Fiança
O delegado de plantão ratificou a prisão em flagrante, destacando que a conduta de M. feriu a administração da justiça ao tentar corromper a verdade de um documento oficial mediante intimidação.

"A conduta do indiciado visa corromper a verdade real de um documento que subsidia o aparato estatal, agindo com o fim de obter favorecimento próprio", diz o despacho policial.

Foi arbitrada uma fiança no valor de R$ 10.000,00, valor este que foi pago pela irmã do empresário. M. foi liberado e responderá ao processo em liberdade, mas o caso agora soma as investigações do acidente de trânsito às graves acusações de coação e ameaça.