Cleriston Pereira da Cunha, detido por participar da invasão das sedes dos Três Poderes em janeiro, faleceu nesta segunda-feira, 20, no presídio da Papuda, em Brasília, após um mal súbito durante o banho de sol. O preso, que apresentava sequelas da Covid-19, havia solicitado, em fevereiro, a oportunidade de responder ao processo em liberdade devido ao seu estado de saúde delicado.
Seu advogado, Bruno Azevedo de Souza, alertou ao Supremo Tribunal Federal (STF) em abril que a manutenção da prisão poderia ser uma "sentença de morte" devido a um "quadro de vasculite de múltiplos vasos" e "miosite secundária à covid-19". A defesa apresentou um habeas corpus ao STF, mas o pedido foi negado pelo relator, ministro André Mendonça, que fundamentou sua decisão em questões processuais e técnicas, sem considerar as condições de saúde do detento.
A ação penal acusa Cleriston de associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A defesa argumentou que o réu, considerado primário, exercia seu direito de manifestação de maneira pacífica e ordenada, sem causar prejuízos ao patrimônio público e que, poucas horas antes, podia ser encontrado em sua distribuidora trabalhando.
Cleriston era o único provedor para a mulher e as duas filhas.
Em setembro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente à soltura, alegando que a prisão preventiva não se justificava mais diante da ausência de risco de interferência na coleta de provas. No entanto, o caso aguardava apreciação do STF.
Cleriston passou mal durante o banho de sol no pátio do presídio, sendo atendido por equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros. Apesar dos esforços de reanimação cardiorrespiratória, ele não resistiu e faleceu às 10h58. A juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, comunicou a morte ao STF no âmbito da ação penal em que o detento estava envolvido.
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