Enfermeira relata tentativa de reanimação após jovem ser lançada sem corda em salto fatal em Limeira

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As investigações sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 26 anos, durante um salto de rope jump na chamada Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), ganharam novos detalhes após o depoimento de uma enfermeira que estava no local e seria a próxima participante da atividade.

A enfermeira Rayza Gabrieli Dias Delfino, também de 26 anos, prestou depoimento à Polícia Civil e relatou que foi uma das primeiras pessoas a prestar socorro à vítima após a queda de aproximadamente 40 metros. Segundo ela, ao perceber a movimentação e os gritos de desespero na plataforma, pediu para ser levada até o local onde Maria Eduarda havia caído.

Em seu relato, Rayza afirmou que encontrou a jovem ainda com sinais vitais extremamente fracos.

"Ela estava dando aquele suspiro de pós-morte. Eu chequei e ela ainda tinha um pulso muito fraco. Iniciei imediatamente as manobras de reanimação, mas pouco depois a pulsação cessou", declarou à polícia.

A profissional de saúde informou que Maria Eduarda ainda estava utilizando parte dos equipamentos de segurança presos ao corpo, porém sem a corda principal que deveria sustentar o salto. Ela permaneceu realizando os primeiros socorros até a chegada da ambulância.

De acordo com a testemunha, os socorristas precisaram cortar parte do equipamento preso à vítima para tentar utilizar um desfibrilador, mas os procedimentos não tiveram sucesso.

Rayza também contou que seria a 42ª pessoa a saltar naquele dia e que filmava a preparação de Maria Eduarda com o celular. Segundo ela, estava concentrada na expectativa do próprio salto e não percebeu detalhes da montagem dos equipamentos.

"Eu só observava ela. Nem reparei como colocaram os equipamentos. Quando ela caiu, comecei a ouvir todos gritando: 'a corda, a corda'", relatou.

A tragédia ocorreu na tarde de sábado (13), na Ponte do Esqueleto, uma antiga estrutura ferroviária localizada entre Limeira e Cordeirópolis. Imagens que circulam nas redes sociais mostram Maria Eduarda sendo conduzida por três instrutores até a borda da plataforma. Instantes após ser impulsionada para o salto, os presentes percebem que a corda de segurança não estava conectada ao sistema de ancoragem.

Segundo a Polícia Civil, a corda principal que deveria sustentar a queda permaneceu enrolada no chão da plataforma, caracterizando uma grave falha operacional. Testemunhas afirmaram que os protocolos de conferência de segurança, normalmente realizados antes de cada salto, não teriam sido executados no caso da vítima.

Os três instrutores responsáveis pela atividade foram presos e prestaram depoimento. Conforme a delegada responsável pela investigação, eles não conseguiram explicar de forma clara como ocorreu o erro. Os profissionais alegaram não se recordar de quem era responsável por conectar a corda nem por realizar a conferência final antes da autorização do salto.

A morte da jovem também reacendeu o debate sobre a situação da Ponte do Esqueleto. O local pertence à União e, segundo o Governo Federal, o processo de incorporação da estrutura à Secretaria de Patrimônio da União foi autorizado neste ano. O governo informou que já havia solicitado apoio das prefeituras da região para restringir o acesso ao local.

Por outro lado, a Prefeitura de Limeira afirma que vinha cobrando providências dos órgãos federais há meses. Em nota, o prefeito Murilo Félix declarou que a tragédia evidencia a necessidade de apuração não apenas das circunstâncias do acidente, mas também da responsabilidade pela falta de controle de acesso à estrutura.

Enquanto a investigação criminal segue em andamento, a Polícia Civil trabalha para esclarecer todas as circunstâncias que levaram à morte de Maria Eduarda e definir as responsabilidades pelo erro que resultou na tragédia. A principal linha de apuração aponta para falha humana na conferência dos equipamentos de segurança antes do salto.
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