No último dia 15 de novembro, a comunidade científica foi agraciada com a revelação de uma nova espécie de sapo que habitou a região de Marília (SP), durante o período Cretáceo, entre 130 milhões e 65 milhões de anos atrás. Batizado como Mariliabatrachus Navai, o anfíbio teve seu nome científico escolhido em homenagem à cidade onde seus fósseis foram encontrados e ao paleontólogo responsável pela descoberta, William Roberto Nava.
Os fósseis foram descobertos entre dezembro de 2000 e fevereiro de 2001, em escavações na formação Adamantina, 10 quilômetros ao sul de Marília. O paleontólogo Nava, responsável pela pesquisa, descreveu ter encontrado dezenas de pequenos ossos de anuros (sapos) mantidos em rochas de arenito da região.
Esses fósseis foram levados ao Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), onde se tornaram objeto de pesquisa ao longo das últimas duas décadas. A descoberta foi oficialmente reconhecida pela comunidade científica com a publicação de um artigo no Zoological Journal of the Linnean Society, da Universidade de Oxford.

Paleontólogo acredita que sapos faziam parte da dieta de crocodilos pré-históricos — Foto: William Roberto Nava/Arquivo pessoal
O nome escolhido para a nova espécie, Mariliabatrachus Navai, destaca o prefixo "Marília" em referência ao local da descoberta e o segundo nome "Navai", que homenageia o paleontólogo William Roberto Nava.

William Nava é responsável pela maioria das descobertas de fósseis realizadas na região de Marília (SP) — Foto: Arquivo pessoal
O achado é especialmente significativo, sendo o segundo fóssil encontrado na região de Marília a receber o nome da cidade. Anteriormente, o paleontólogo Nava descobriu o crocodilomorfo Mariliasuchus amarali em 1995, também reconhecido como um crocodilo pré-histórico. Os sapos recém-descobertos provavelmente eram parte da dieta desses crocodilos e coexistiam com dinossauros na região.

Descoberta de fósseis de sapos pré-históricos foi feita em 2001 — Foto: William Roberto Nava/Arquivo pessoal
A região de Marília, há muito reconhecida como um dos principais sítios fossilíferos da América do Sul, também revelou vestígios de dinossauros ao longo das últimas décadas. O Titanossauro, um dinossauro quadrúpede herbívoro, foi encontrado em diversas ocasiões, incluindo achados recentes durante obras em rodovias da região.

Fósseis começaram a ser descobertos na região de Marília nos anos 90 — Foto: Reprodução/TV TEM

itanossauros, donos da maioria dos ossos encontrados na região de Marília, tinham pescoço alongado e eram herbívoros — Foto: Okayama University of Science/AFP
O solo privilegiado, com uma topografia acidentada e rica em carbonato de cálcio, contribui para a preservação dos fósseis na região, facilitando a exposição e identificação desses importantes vestígios do passado.

Fragmentos de ossos entre as rochas descobertos em 2016 — Foto: Reprodução/TV TEM





