Ex-aluna da Medicina-USP acusada de desviar R$ 1 milhão é condenada a 3 anos de prisão por golpe de R$ 193 mil em lotérica de São Paulo

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 A estudante de medicina Alicia Dudy Muller foi condenada a três anos de reclusão e ao pagamento de 30 dias-multa por aplicar um golpe de aproximadamente R$ 193 mil contra uma casa lotérica na capital paulista. A decisão foi proferida na última terça-feira (25) pela 32ª Vara Criminal do Foro Central Criminal da Barra Funda, tendo a juíza Adriana Costa determinado o cumprimento inicial da pena em regime semiaberto.

Segundo o Ministério Público, o crime ocorreu em julho de 2022, em uma lotérica localizada na zona sul de São Paulo. De acordo com a investigação, Alicia teria se aproveitado da relação de confiança construída com funcionários do estabelecimento para solicitar o registro de apostas de alto valor, alegando falsamente que havia realizado transferências via Pix que somariam cerca de R$ 891 mil.

Ainda conforme a acusação, o comprovante apresentado indicava apenas um Pix agendado para data futura, o que não garantia o pagamento imediato. Os funcionários chegaram a registrar apostas que totalizavam aproximadamente R$ 193 mil, mas passaram a desconfiar da situação. Em tentativa de convencer os atendentes, a acusada apresentou outro comprovante de transferência no valor de R$ 891,50. Após discussão, ela deixou o local com cinco apostas avaliadas em cerca de R$ 38,7 mil cada.

Na sentença, a magistrada considerou comprovadas a autoria e a materialidade do crime com base em depoimentos, registros das apostas e comprovantes bancários. A decisão destacou que houve fraude deliberada e planejamento prévio. A juíza também rejeitou as alegações da defesa sobre nulidades processuais e incapacidade mental, apontando que laudo pericial indicou plena capacidade de compreensão e organização do delito.

O advogado de defesa, Sérgio Giolo, informou que pretende recorrer da decisão. Segundo ele, não é adequado discutir o mérito do processo neste momento, pois ainda existem recursos pendentes que tratam de possíveis falhas processuais.

Caso do desvio na formatura
A condenação mais recente se soma a outro processo envolvendo a estudante, que ganhou repercussão nacional. Em julho de 2024, Alicia foi condenada a cinco anos de prisão por desviar cerca de R$ 927 mil do fundo de formatura de sua turma de medicina da Universidade de São Paulo.

O caso veio à tona em janeiro de 2023, quando colegas registraram boletim de ocorrência. Alicia era presidente da comissão de formatura e, segundo as investigações, transferiu valores da conta coletiva para contas pessoais em diversas ocasiões entre 2021 e 2022.

A polícia apontou que o dinheiro teria sido utilizado para despesas pessoais, incluindo compra de eletrônicos, aluguel de carros e pagamento de moradia. O Ministério Público denunciou a estudante por estelionato múltiplo, indicando ao menos oito transferências irregulares e uma tentativa adicional que não foi concluída.

Mesmo após a condenação, Alicia concluiu o curso de medicina e obteve registro profissional no Conselho Federal de Medicina em dezembro de 2024. A legislação brasileira não impede pessoas condenadas de cursar o ensino superior ou exercer atividade profissional, desde que cumpram as determinações judiciais.