Falso médico é preso após atender criança de 10 anos com câncer no cérebro no Rio de Janeiro

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu em flagrante, nesta quinta-feira (6), um homem suspeito de se passar por médico para atender uma criança de 10 anos com câncer no cérebro. O caso veio à tona depois que a mãe da menina desconfiou da atuação do profissional, reuniu documentos, vídeos e prescrições e procurou a polícia.

O homem se apresentava como Jeferson Targino Sampaio e realizava atendimentos domiciliares por meio de empresas de home care contratadas pelo plano de saúde da família. Segundo as investigações, ele teria atendido a criança cinco vezes ao longo de aproximadamente seis meses.

A menina enfrenta uma doença em estágio avançado e necessita de cuidados intensivos. Antes de receber o atendimento domiciliar, ela já havia passado por dez cirurgias, sendo sete na cabeça.

De acordo com a mãe, inicialmente o homem era recebido com confiança pela família, inclusive com abraços durante as visitas. Ele prescrevia medicamentos e orientava cuidados relacionados ao tratamento da criança.

As suspeitas começaram depois que um enfermeiro que acompanhava a paciente identificou que o extensor da gastrostomia deveria ter sido trocado havia cerca de dois meses. A situação levou a mãe a pesquisar o nome do profissional no Conselho Regional de Medicina.

Segundo o delegado Thiago Venturini Antunes, a mãe percebeu que a pessoa que aparecia na fotografia vinculada ao registro profissional não correspondia ao homem que estava atendendo sua filha.

A partir daí, ela reuniu vídeos, prescrições e outras provas e procurou a polícia.

Durante a abordagem, o suspeito inicialmente afirmou que seu nome era Diogo dos Santos Serpa. Questionado pelos policiais sobre o motivo de utilizar um carimbo em nome de Jeferson, ele afirmou ser estudante de medicina.

Segundo a investigação, Diogo teria utilizado a identidade de Jeferson Targino Sampaio para realizar atendimentos médicos. Além dos atendimentos vinculados a empresas de home care, ele também oferecia consultas particulares e cobrava valores elevados.

Em uma gravação apresentada durante a investigação, o suspeito teria informado que cobraria R$ 700 por uma consulta, chegando a aproximadamente R$ 1 mil quando fosse necessário emitir um laudo.

A polícia afirma que Diogo possui antecedentes registrados entre 2023 e 2025 por falsidade ideológica e furto de medicamentos. As investigações também apontam que, em 2021, ele teria utilizado a identidade de um médico para conseguir prioridade na vacinação contra a Covid-19.

O delegado informou que o homem foi preso em flagrante por cinco delitos: exercício irregular da medicina, falsa identidade, uso de documento público, tentativa de estelionato e por causar perigo à saúde e à vida de outra pessoa.

A mãe da criança relatou que, ao acompanhar a prisão, sentiu uma mistura de revolta e alívio por ter conseguido interromper a atuação do suspeito. Segundo ela, durante o atendimento, o homem afirmou que também acompanhava outras pessoas por meio de serviços de home care, o que fez com que ela procurasse as autoridades para evitar que outras famílias fossem colocadas em risco.

Verdadeiro médico afirma desconhecer o uso de sua identidade
A polícia também procura esclarecer como o suspeito conseguiu utilizar o nome, o carimbo e outros elementos de identificação de Jeferson Targino Sampaio, o verdadeiro médico.

Jeferson afirmou que conheceu Diogo em 2020, quando ambos estiveram em uma unidade de saúde em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Segundo ele, os dois não mantêm contato há aproximadamente três anos, desde que se mudou para Santos, no litoral de São Paulo.

O médico declarou que não sabe como o suspeito conseguiu um crachá em seu nome ou como teria reproduzido seu carimbo. Jeferson informou ainda que registrou um boletim de ocorrência, preparou uma comunicação ao Conselho Regional de Medicina e procurou um advogado para avaliar as medidas legais cabíveis.

Empresas e plano de saúde serão investigados
A investigação também deverá apurar como o suspeito conseguiu atuar no atendimento domiciliar e quais procedimentos de verificação foram realizados pelas empresas responsáveis pelo serviço.

A Unimed Nova Iguaçu afirmou que Diogo dos Santos Serpa não fazia parte de seu quadro de médicos e que estava vinculado a uma empresa terceirizada. Segundo a operadora, cabia à empresa contratada verificar a documentação dos profissionais. A Unimed informou que está descredenciando a empresa, registrou o caso na polícia e comunicou o Conselho Regional de Medicina.

A empresa Health Mais Cuidados e Gestão afirmou que não possui em seu quadro os médicos citados e informou não ter localizado a paciente. Já a Alpha Care Cuidados não havia respondido até o momento.

A defesa de Diogo dos Santos Serpa não foi localizada para comentar o caso.

As investigações continuam para identificar se outras pessoas foram atendidas pelo suspeito e esclarecer todas as circunstâncias que permitiram que ele atuasse como médico utilizando a identidade de outra pessoa.
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