Família de Cândido Mota morre em explosão de carretas na BR-163 a caminho de casamento em Rondônia

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Uma tragédia que comoveu o interior de São Paulo ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (19), após a confirmação da identidade das vítimas mortas no grave acidente entre carretas e automóveis na BR-163, em Bandeirantes, no Mato Grosso do Sul. Entre os cinco mortos está uma família de Cândido Mota (SP) que viajava para Ariquemes (RO), onde participaria do casamento de um familiar.

As vítimas são o engenheiro-agrônomo Sergio Doná, seus pais, José Doná e Natalina Petrelini Doná, além da irmã, Ana Maria Doná Marques. A confirmação foi divulgada pela Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) e confirmada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.



Viagem para um casamento terminou em tragédia
Segundo as informações da APqC, a família seguia de Assis, onde Sergio residia atualmente, rumo a Ariquemes, em Rondônia, para acompanhar o casamento do irmão do engenheiro agrônomo.

Eles viajavam em um Toyota Etios, que acabou sendo atingido durante uma sequência de colisões e explosões provocadas pelo acidente envolvendo duas carretas. O impacto foi tão violento que o veículo foi completamente consumido pelas chamas.

Inicialmente, devido ao estado dos corpos após a explosão, a Polícia Civil acreditava que apenas três pessoas ocupavam o automóvel. No entanto, durante os exames realizados no Instituto Médico Legal (IML), foi constatado que havia quatro vítimas no carro da família.

A quinta vítima fatal é Valderlanio Daniel Santos, de 49 anos, apontado pela investigação como o motorista do veículo que teria invadido a pista contrária e provocado o acidente.

Como aconteceu o acidente
O acidente ocorreu no último domingo (16) e foi registrado pela câmera de segurança de um dos caminhões envolvidos.

As imagens mostram o momento em que um automóvel invade a pista contrária da BR-163 e colide frontalmente com uma carreta carregada com couro. Com a força da batida, o caminhão atravessa para a contramão e atinge uma segunda carreta, que transportava combustível.

Poucos segundos depois, os dois veículos pegaram fogo e uma grande explosão tomou conta da rodovia. Os carros que trafegavam logo atrás do caminhão-tanque, entre eles o Toyota Etios da família Doná, acabaram sendo atingidos pela intensa fumaça e pelas chamas.

O incêndio também se espalhou pela vegetação às margens da rodovia, mobilizando equipes do Corpo de Bombeiros e trabalhadores de propriedades rurais próximas, que auxiliaram no combate ao fogo.

Uma vida dedicada à pesquisa agrícola
A morte de Sergio Doná provocou grande comoção na comunidade científica e no setor agropecuário paulista.

Mestre em Agricultura Tropical e Subtropical, ele construiu sua carreira na Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), na unidade regional de Assis, onde também exerceu a função de diretor.

Ao longo de sua trajetória, desenvolveu pesquisas voltadas ao fortalecimento da agricultura no Médio Paranapanema, com estudos sobre mandioca, soja, milho, cana-de-açúcar e fruticultura. Entre seus trabalhos de destaque estão pesquisas com a uva Niágara Rosada, avaliando produtividade, irrigação, porta-enxertos, doenças e pragas, sempre buscando ampliar a renda de pequenos e médios produtores rurais.

Sergio também participou de programas de avaliação de novas variedades agrícolas desenvolvidas pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e atuou na transferência de tecnologias para agricultores da região.


Sérgio Doná esta entre os cinco mortos no acidente. — Foto: Divulgação.

Homenagem da comunidade científica
Em nota oficial, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo lamentou profundamente a perda do pesquisador e destacou sua contribuição para a ciência pública.

“A trajetória de Sergio Doná evidencia a importância da pesquisa pública regional para o desenvolvimento da agricultura. Funcionários e amigos da APTA lembram que ele era uma pessoa agregadora, humilde, de coração afável e sempre disposta a ajudar.”

Os cinco corpos foram encaminhados ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) de Mato Grosso do Sul, enquanto a Polícia Civil segue investigando as circunstâncias do acidente que resultou em uma das mais graves tragédias rodoviárias do estado neste ano.
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