Feijão carioquinha, o mais consumido do Brasil, foi descoberto em Ibirarema (SP) na década de 1960

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Celebrado nesta terça-feira (10), o Dia Mundial do Feijão marca a importância de um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros. Entre as variedades mais consumidas, o feijão carioquinha se destaca como o preferido da população — e sua origem tem raízes no interior de São Paulo, mais precisamente no município de Ibirarema.

O feijão carioquinha foi descoberto em 1963 na fazenda Bom Retiro, em Ibirarema (SP), pelo engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes. Na época, ele cultivava a variedade conhecida como feijão chumbinho, caracterizada pela cor marrom uniforme. Durante o plantio, Antunes e seu tio perceberam que algumas plantas apresentavam grãos com aparência diferente, com fundo claro e rajados em marrom e preto. A partir dessa observação, foi feita uma seleção natural dessas sementes, processo conhecido como seleção massal, que deu origem a uma nova cultivar.

Em agosto de 1966, amostras do novo feijão foram encaminhadas ao Instituto Agronômico (IAC), em Campinas (SP), onde recebeu a identificação técnica I-38700. O nome “carioca” surgiu pela semelhança dos grãos com as manchas de uma raça de porco caipira conhecida na região, que também apresentava coloração rajada.

Após passar por testes que comprovaram sua alta produtividade, resistência a doenças e rápido cozimento, o feijão foi lançado oficialmente como cultivar comercial em 1969. Inicialmente, a nova aparência gerou resistência entre consumidores, que não estavam acostumados com o padrão visual rajado. No entanto, campanhas de divulgação ajudaram a popularizar o produto.

O sucesso foi rápido. Já em 1976, o feijão carioca se tornou o mais cultivado e comercializado no estado de São Paulo. Atualmente, ele representa cerca de 85% do mercado nacional, consolidando-se como a principal variedade consumida no país.

Além da produtividade, o feijão carioquinha se destaca por ser uma fonte acessível de proteína e por sua adaptação a diversas regiões produtoras. Seu sabor e versatilidade também contribuíram para sua popularização, tornando-se presença indispensável no tradicional prato de arroz com feijão.

Embora tenha sido descoberto em Ibirarema, o cultivo do feijão carioca se expandiu por todo o Brasil e, hoje, também abastece mercados internacionais, reforçando sua importância econômica e nutricional. A história do grão evidencia como uma descoberta no interior paulista transformou a alimentação de milhões de brasileiros.

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