Os dois detentos que fugiram da Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, na semana passada, protagonizaram um episódio de terror ao fazer uma família refém na noite da última sexta-feira. Rogério da Silva Mendonça, conhecido como Tatu, e Deibson Cabral Nascimento, apelidado de Deisinho, invadiram a casa de uma família em uma área rural da cidade, solicitando comida e exigindo acesso a notícias sobre sua fuga.
Os fugitivos permaneceram no local por cerca de quatro horas, durante as quais questionaram a localização, demonstrando desconhecimento da região, e fizeram perguntas sobre como chegar ao Ceará e se havia bloqueios nas estradas. Não houve violência física com os reféns, mas os detentos roubaram celulares e alguns alimentos da residência.
Durante o período em que estiveram na casa, os fugitivos fizeram diversas ligações pelo WhatsApp, inclusive para números com DDD 21, indicando contato com o Rio de Janeiro. Após o incidente, a família feita refém relatou que os invasores estavam sujos e pareciam desnorteados.
A fuga dos detentos, ligados ao Comando Vermelho, ocorreu na última semana de uma unidade de segurança máxima. Ambos estavam na penitenciária desde setembro de 2023, após participarem de uma rebelião violenta em um presídio em Rio Branco, Acre, que resultou em mortes e ferimentos.
A Polícia Federal está empenhada em localizar os fugitivos, mobilizando cerca de 300 agentes de segurança, helicópteros e drones para as buscas. A fuga levou à destituição da direção da penitenciária e à nomeação de um interventor para investigar possíveis colaboradores internos no plano de fuga.
A perícia da PF encontrou objetos metálicos nas celas dos fugitivos, indicando uma preparação gradual para a fuga, violando os protocolos de segurança da prisão. A investigação também avalia a possibilidade de colaboração interna no planejamento e execução da fuga, que representou uma falha inédita no sistema penitenciário federal.
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