Governo Lula busca empréstimo de R$ 20 bi para “salvar” Correios com garantia da União

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Os Correios articulam a contratação de um novo empréstimo para enfrentar a grave crise financeira que se agravou nos últimos anos. Segundo informações divulgadas pela Folha de S. Paulo e confirmadas pelo Estadão, os recursos seriam usados para quitar dívidas com fornecedores, viabilizar um programa de demissão voluntária e financiar investimentos voltados ao ganho de eficiência operacional.

A estatal, que passa por trocas na gestão, vem acumulando sucessivos prejuízos desde 2022 e enfrenta cobranças judiciais de empresas credoras. Parte das dívidas é com bancos privados, como o BTG Pactual, que pode integrar a nova operação de crédito em estudo pelo Palácio do Planalto.

Troca na presidência e impactos da “taxa das blusinhas”
Em setembro, Emmanoel Schmidt Rondon, funcionário de carreira do Banco do Brasil, assumiu a presidência da estatal, substituindo Fabiano da Silva. A gestão anterior alegava que medidas do Ministério da Fazenda, como a chamada “taxa das blusinhas” — que restringiu a importação de produtos de baixo valor sem pagamento de impostos — reduziram as receitas do segmento internacional.

A queda nas postagens de itens importados e o aumento da concorrência no setor foram citados pelos Correios como fatores que agravaram o cenário financeiro.

Prejuízos crescentes
Os resultados negativos se aceleraram nos últimos anos:
  • 2022: prejuízo de R$ 767 milhões
  • 2023: prejuízo de R$ 596 milhões
  • 2024: déficit atingiu R$ 2,59 bilhões
  • 1º semestre de 2025: rombo chegou a R$ 4,37 bilhões — aumento de 222% em relação ao mesmo período de 2024
  • 2º trimestre de 2025: prejuízo de R$ 2,64 bilhões, quase cinco vezes maior que os R$ 553 milhões registrados um ano antes
Ao divulgar o balanço, os Correios afirmaram enfrentar “restrições financeiras decorrentes de fatores conjunturais externos” que afetaram diretamente a geração de receitas.

Governo reconhece crise e fala em cortes e novas fontes de receita
Em julho, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, declarou ao Estadão que a reversão do quadro exige redução de custos e aumento de receitas. Ela destacou que, apesar de terem perdido o monopólio das entregas no país, os Correios continuam obrigados a atender todo o território nacional, inclusive regiões remotas e pouco rentáveis.

O novo plano de crédito busca criar fôlego para a estatal implementar ajustes e evitar maior deterioração financeira.
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