Greve da Caixa chega ao fim por decisão do TST

Tribunal rejeitou pedido da Caixa para declarar a greve abusiva, mas determinou retorno imediato ao trabalho.
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O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu nesta terça-feira (29) encerrar a greve nacional dos empregados da Caixa Econômica Federal, em julgamento do dissídio coletivo instaurado após o fracasso das negociações entre o banco e os trabalhadores. As informações são do g1.
A paralisação havia começado em 10 de setembro e tinha como principal ponto de conflito as mudanças propostas para o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados.

No voto apresentado ao plenário, o ministro Maurício Godinho Delgado rejeitou o pedido da Caixa para que a greve fosse considerada abusiva e também afastou a aplicação de multa aos sindicatos pelo suposto descumprimento de decisões judiciais anteriores.

Apesar disso, determinou o encerramento do movimento paredista e a retomada das atividades pelos trabalhadores.
"O pedido de declaração de abusividade da greve é improcedente", afirmou o magistrado durante o julgamento.

Um dos principais pontos da decisão envolve o tratamento dos dias não trabalhados durante a paralisação. Embora o relator tenha ressaltado que a greve suspende temporariamente o contrato de trabalho, o TST definiu que os empregados deverão compensar os dias parados.

A compensação deverá ocorrer em até 180 dias, substituindo a proposta inicial que previa desconto salarial dos dias de greve.
O ministro também ponderou que a situação deve observar a adesão efetiva dos trabalhadores ao movimento, uma vez que houve unidades da Caixa que continuaram funcionando durante a paralisação.
  • ➡️ Com a conclusão do julgamento, a greve é considerada encerrada e os empregados devem retornar ao trabalho. Em caso de descumprimento da decisão, a Caixa poderá informar o TST e solicitar providências à Justiça do Trabalho.
Tribunal concede reajuste acima da inflação
O TST definiu ainda as condições que irão vigorar para os empregados da Caixa no próximo período de negociação.

A Corte concedeu reajuste salarial correspondente à reposição integral da inflação medida pelo INPC, acrescida de ganho real de 0,6%. O mesmo índice será aplicado aos benefícios da categoria, como auxílio-refeição, auxílio-alimentação, cesta-alimentação, auxílio-creche e auxílio-babá.

A sentença normativa terá vigência de um ano, entre 1º de setembro de 2026 e 31 de agosto de 2027, mantendo a data-base da categoria em setembro.
 
Plano de saúde
O principal foco de divergência entre banco e empregados durante a campanha salarial foi o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos trabalhadores.
Os sindicatos argumentavam que as mudanças propostas pelo banco elevariam significativamente a contribuição dos empregados e poderiam consumir o ganho obtido com o reajuste salarial. A categoria rejeitou três propostas apresentadas pela instituição durante as negociações.
No julgamento, o TST decidiu incorporar à sentença normativa as cláusulas relacionadas ao Saúde Caixa e à Participação nos Lucros e Resultados (PLR) já previstas nos acordos coletivos anteriores firmados pelas entidades representativas dos trabalhadores.

Durante a sessão, o tribunal também indicou que não cabe à Justiça do Trabalho substituir a negociação coletiva para estabelecer novas regras sobre a PLR, mantendo as disposições já existentes.

A decisão preserva ainda uma série de cláusulas dos acordos coletivos anteriores, incluindo dispositivos sobre horas extras, adicional noturno, adiantamento do 13º salário, gratificações de função, auxílio-funeral e outras garantias trabalhistas.

As cláusulas mantidas terão os mesmos índices econômicos definidos na sentença normativa, incluindo o reajuste de 100% do INPC mais 0,6% de ganho real.

Sobre a greve
A paralisação começou em 10 de setembro, após os trabalhadores rejeitarem as propostas apresentadas pela Caixa para renovação do acordo coletivo. Antes do julgamento, o TST chegou a promover tentativas de mediação entre as partes, mas as negociações terminaram sem consenso.

Embora o dissídio coletivo tenha encerrado a greve e definido as condições econômicas da categoria, a discussão sobre o futuro do Saúde Caixa continua. Durante o julgamento, representantes dos trabalhadores se comprometeram a manter as negociações com a Caixa para buscar uma solução para o plano de saúde, que permanece como o principal ponto de divergência entre as partes.

Com a decisão desta terça-feira, a Justiça do Trabalho encerra o conflito coletivo e determina o fim da greve dos empregados da Caixa em todo o país.

A expectativa é que as negociações sobre o Saúde Caixa prossigam em mesas específicas entre o banco e as entidades representativas dos trabalhadores.
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