Homem denuncia trabalho análogo à escravidão em fazenda na zona rural de Ourinhos

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Um homem de 66 anos procurou a Polícia Civil na noite desta quarta-feira, 14, e denunciou ter sido vítima de redução à condição análoga à de escravo em uma propriedade rural localizada no bairro Água do Monjolinho, em Ourinhos (SP). O caso foi registrado na delegacia e será apurado pelas autoridades competentes.

Segundo o relato de M. K., ele trabalhou por aproximadamente quatro anos e meio em uma chácara, situada na Fazenda Santa Maria, sem qualquer registro em carteira de trabalho. De acordo com a denúncia, a prestação de serviços ocorria em troca de uma pequena moradia, uma cesta básica mensal e o pagamento de R$ 10 por dia, sem acesso a direitos trabalhistas.

Ainda conforme o depoimento, a rotina de trabalho era exaustiva e considerada degradante. O homem afirmou que acordava diariamente por volta das 2h da manhã para realizar a ordenha das vacas, além de limpar instalações, cortar e moer capim para alimentar o gado, apartar bezerros, limpar pasto e reparar cercas danificadas. Ele também relatou que permanecia de sobreaviso 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive durante a noite, para atender emergências envolvendo os animais.

A vítima informou ainda que utilizava maquinários sem qualquer equipamento de proteção individual, tendo sofrido acidente de trabalho. Mesmo após atendimento médico em uma unidade de pronto atendimento, teria sido obrigado a retornar às atividades. O relato também aponta exposição a produtos tóxicos sem proteção adequada.

De acordo com o registro policial, para complementar a alimentação, o trabalhador foi orientado pelo proprietário da fazenda e por sua filha a plantar uma horta e cultivar mandioca, sob a justificativa de que não seria empregado, mas comodatário. Em dezembro de 2025, segundo a vítima, as filhas do proprietário teriam exigido que ele deixasse o imóvel imediatamente, sob ameaça de ter seus pertences retirados e a residência derrubada, mesmo sem que ele tivesse para onde ir.

Temendo pela própria segurança, o homem afirmou que passou a morar com o sogro, deixando seus pertences na chácara por não ter recursos financeiros para removê-los. O caso foi registrado como artigo 149 do Código Penal, que trata da redução à condição análoga à de escravo, e seguirá sob investigação para apuração dos fatos e eventuais responsabilidades.