Homem é preso acusado de matar a própria mãe na região

Homem negou o crime e disse que a mãe havia cometido o suicídio na última segunda-feira, 12. Corpo só foi encontrado pela Polícia nesta quinta-feira, 15, após o próprio filho chamar os policiais.
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Na tarde desta quinta-feira, 15, um homem foi preso sob acusação de matar sua própria mãe na cidade de Garça (SP), localizada a 110 quilômetros de Ourinhos (SP). A tragédia chocou a região.

Por volta das 16h30, os policiais militares foram acionados para atender uma ocorrência de suposto suicídio na residência localizada na Rua Coronel Joaquim Piza, número 1148. Segundo informações dos policiais que atenderam a ocorrência, o filho da vítima, Júlio Rodrigo Bonifácio, teria ligado para as autoridades afirmando que sua mãe estava morta dentro de casa.

Ao chegarem ao local, os policiais constataram que a vítima era Valdeci Gomes de Sá e o solicitante era o próprio Júlio. Inicialmente, os policiais relataram que Júlio não estava presente na residência quando chegaram, mas ele logo apareceu correndo e esbaforido, afirmando ser filho da vítima. Segundo o relato informal dado por Júlio aos policiais, ele encontrou sua mãe morta dois dias antes e a colocou na cama, pois estava sob efeito de drogas. Ele teria saído da residência e, no dia seguinte, retornou para levar o botijão de gás e o celular de sua mãe, que seriam vendidos para comprar mais drogas.

No local, os policiais perceberam um forte odor de água sanitária e questionaram Júlio sobre isso. Ele afirmou que havia limpado a residência antes de acionar a polícia. Embora a casa estivesse aparentemente limpa, foram encontradas marcas de sangue embaixo da cama onde a vítima foi encontrada, assim como na roupa de Júlio, que estava no tanque de molho no sabão, juntamente com um pano de chão.

Uma equipe da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), acompanhada pela perícia, acessou a casa e também pôde sentir o forte odor de água sanitária. Não foram encontrados móveis desarrumados, mas foi observada uma pequena mancha seca, aparentando ser sangue, embaixo da cama onde a vítima foi encontrada. Além disso, algumas roupas que supostamente pertenciam a Júlio foram encontradas imersas em água e sabão em uma bacia na lavanderia. Um pedaço de cinto estava no chão próximo à porta, enquanto outro pedaço estava pendurado na grade da porta, onde a vítima teria sido encontrada por Júlio.

O corpo da vítima, uma mulher de aparência frágil, estava deitado de costas, em bom estado, com as vestes alinhadas. Apresentava as mãos escuras, pescoço arroxeado com marcas circulares aparentando um sulco, sangue no ouvido direito e ferimento na perna esquerda. Pesquisas nos sistemas policiais revelaram registros de boletins de ocorrências de violência doméstica, nos quais Valdeci era vítima e Júlio, autor. O último boletim foi registrado em 14 de janeiro de 2020.

Ouvidos todos os envolvidos presentes, coletados elementos informativos no local, convencida de que o conduzido foi surpreendido logo após ter matado sua mãe, bem como foi surpreendido ocultando o cadáver da vítima.

O homem foi surpreendido também logo após ter subtraído um aparelho celular e um televisor de sua mãe e, por fim, foi flagrado logo após ter inovado artificiosamente, objetivando produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito, o delegado decretou a prisão em flagrante delito de Júlio Rodrigo Bonifácio pelos delitos de feminicídio, ocultação de cadáver, furto e fraude processual.

Interrogado, cientificado de seus direitos, Júlio optou por dar sua versão sobre os fatos e disse que no do dia 12 de junho na parte da tarde encontrou a sua mãe caída no chão, com um cinto em volta do pescoço e o outro pedaço do cinto na grade de ferro da porta próximo ao quarto da vítima, além de uma cadeira caída no chão.

Em seguida, segundo sua versão, colocou a mãe sobre a cama já em óbito e nos dias que se passaram, subtraiu o aparelho celular e o televisor da mãe, vendendo os objetos para comprar mais entorpecente crack.

Alegou que passou os dias fazendo uso da droga e, na manhã de ontem (15) limpou a casa, pois estava suja, lavou sua roupa e a louça e, na sequência, por entender que sua mãe merecia um enterro, ligou para a Polícia Militar.

Diante da gravidade dos crimes praticados, presentes os indícios de autoria e a existência materialidade, objetivando assegurar a ordem pública e por conveniência da instrução criminal, já que inclusive um dos crimes apurados é a fraude processual, nos termos dos artigos 311, 312 e 313, I, do CPP, esta Autoridade Policial representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva do indiciado.

Foram requisitados os exames do local dos fatos (perinecroscópico) e necroscópico, inclusive a coleta de material biológico para eventual confronto genético. O caso segue sendo investigado.