Homem é preso após manobras perigosas, tentativa de atropelamento de criança e ameaças a policiais em Ipaussu

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Um homem de 29 anos foi preso em flagrante na noite deste sábado, 3, em Ipaussu, após uma ocorrência que começou com uma denúncia de manobras perigosas em uma rua onde crianças brincavam e terminou com acusações de tentativa de homicídio contra menor de 14 anos, embriaguez ao volante, ameaça, desacato, resistência e crime de trânsito.

Segundo o boletim de ocorrência, o homem, identificado como Murilo, teria realizado um “cavalo de pau” com um automóvel próximo às crianças. Em seguida, após ser advertido pelo pai delas e saber que a Polícia Militar estava sendo acionada, ele teria acelerado o veículo em marcha à ré na direção de uma das crianças. O menino conseguiu sair da trajetória do carro e não foi atingido.

A ocorrência ainda teve momentos de tensão durante a abordagem policial. Conforme o registro, Murilo apresentava sinais de embriaguez, teria agredido e resistido aos policiais durante a tentativa de contenção e, posteriormente, feito ameaças de morte contra os militares e seus familiares.

Pai afirma que motorista fez “cavalo de pau” próximo aos filhos
De acordo com o registro policial, a Polícia Militar foi acionada, por volta das 19h, para atender uma ocorrência envolvendo manobras perigosas com um veículo em via pública, em um local onde havia crianças brincando.

Ao chegar ao endereço, os policiais conversaram com B., solicitante da ocorrência e pai de três crianças. Ele contou que estava na rua acompanhado dos filhos quando viu Murilo conduzindo um veículo em alta velocidade em direção ao final da via, que é sem saída.

Segundo o relato, ao chegar próximo ao portão de um imóvel, o motorista realizou uma manobra conhecida como “cavalo de pau”, freando nas proximidades das crianças.

B. teria advertido Murilo sobre a presença dos menores e questionado a maneira como ele conduzia o automóvel. Ainda segundo o boletim, o motorista respondeu de forma hostil.

O pai informou então que acionaria a Polícia Militar. Nesse momento, conforme sua versão, Murilo o ameaçou, afirmando que, caso chamasse a polícia, eles “conversariam de perto”. Mesmo diante da ameaça, B. iniciou a ligação para o telefone 190.

Criança precisou pular para não ser atingida, diz boletim
A situação teria se agravado quando Murilo percebeu que a Polícia Militar estava efetivamente sendo acionada.

Segundo o relato registrado na delegacia, o motorista engatou a marcha à ré e acelerou o automóvel, apesar de já ter sido alertado de que havia crianças atrás e nas proximidades do veículo.

Um dos filhos de B., de 14 anos, estava próximo ao meio-fio, ao lado de uma lixeira e com uma bola. Conforme a ocorrência, o automóvel avançou em sua direção e chegou a subir na calçada, fazendo com que a criança precisasse pular e correr para o imóvel vizinho para evitar ser atingida.

Depois que o menino conseguiu sair da trajetória do carro, Murilo teria engatado a marcha à frente, entrado rapidamente em um imóvel e o portão foi fechado.

B. declarou à polícia que o motorista sabia da presença das crianças, uma vez que havia acabado de ser expressamente advertido sobre elas. O pai também manifestou interesse em representar criminalmente em relação à ameaça que afirmou ter sofrido.

Ainda segundo o registro, não existem câmeras de monitoramento na rua que teriam registrado a ocorrência.

Polícia relata sinais de embriaguez e comportamento agressivo
Com a chegada da Polícia Militar, os agentes fizeram contato com Murilo. De acordo com o boletim, ele apresentava forte odor etílico, alteração na fala e comportamento agressivo, sinais que levaram os policiais a suspeitar que estivesse sob influência de álcool.

Um dos policiais determinou que o homem permanecesse no interior do veículo e que não voltasse a conduzi-lo. Conforme o registro, Murilo passou a provocar e confrontar verbalmente os militares.

Na sequência, segundo a versão apresentada pelos policiais, ele se aproximou de um dos agentes e bateu com a mão no peito do militar. Outro policial interveio e segurou um dos braços do suspeito.

O boletim aponta que Murilo passou então a resistir fisicamente à abordagem, utilizando força para tentar impedir sua contenção e chegando a tentar agarrar um dos policiais pela região do pescoço.

Diante da resistência, os militares utilizaram força para imobilizá-lo. Segundo a ocorrência, o homem continuou resistindo e dificultou a colocação das algemas.

Policiais relatam ameaças de morte
Ainda durante a intervenção, Murilo teria proferido ofensas contra os policiais, o que foi registrado como possível crime de desacato.

Mesmo depois de algemado e colocado na viatura, segundo o boletim, o homem continuou exaltado e passou a fazer ameaças de morte contra um dos policiais e seus familiares, afirmando que, quando fosse liberado, mataria o militar, sua esposa e sua família.

O policial declarou ter considerado a ameaça séria e, por precaução, entrou em contato com a esposa, orientando-a a permanecer na residência de familiares.

Já na unidade policial, Murilo teria feito nova ameaça, dessa vez contra outro policial militar, afirmando que iria atirar contra ele.

Exame médico apontou estado de embriaguez
Murilo foi submetido a exame médico-legal e, segundo o boletim de ocorrência, o médico legista atestou seu estado de embriaguez.

A constatação foi considerada pela autoridade policial compatível com os relatos dos policiais que participaram da abordagem e disseram ter percebido odor etílico, alteração na fala e comportamento agressivo.

Durante o interrogatório na delegacia, após ser informado de seus direitos constitucionais, Murilo optou por permanecer em silêncio.

O uso de algemas foi justificado no registro policial em razão da resistência apresentada durante a abordagem, além do receio de fuga e da necessidade de preservar a integridade física do próprio preso, dos policiais e das demais pessoas presentes.

Delegado enquadrou caso como tentativa de homicídio contra menor
Ao analisar a ocorrência, a autoridade policial entendeu, nesta fase inicial da investigação, que a manobra realizada em marcha à ré apresenta elementos, em tese, de tentativa de homicídio qualificado contra menor de 14 anos, sob a modalidade de dolo eventual.

Segundo o despacho, o entendimento decorre do fato de que Murilo teria sido expressamente avisado sobre a presença das crianças e, ainda assim, após perceber que a Polícia Militar estava sendo chamada, teria acelerado em marcha à ré em direção ao local onde uma delas estava, chegando a subir na calçada.

Para a autoridade policial, os elementos iniciais indicam que o motorista teria assumido o risco de atingir a criança. O atropelamento não ocorreu porque o menor conseguiu sair da trajetória do automóvel.

Essa é, contudo, a classificação jurídica adotada pela autoridade policial no momento da prisão em flagrante. O caso seguirá para investigação e análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.

Prisão em flagrante
Além da tentativa de homicídio contra menor de 14 anos, foram registrados, em tese, os crimes de embriaguez ao volante, ameaça, desacato e resistência, além da infração prevista no artigo 308 do Código de Trânsito Brasileiro, relacionada à realização de manobra perigosa em via pública gerando situação de risco.

Diante do conjunto de informações reunidas, a autoridade policial decretou a prisão em flagrante de Murilo.

Foi requisitado exame de corpo de delito cautelar e o homem permaneceu à disposição da Justiça para a realização de audiência de custódia. A mãe dele, C., foi comunicada sobre a prisão.

A vítima também foi orientada sobre o prazo legal para eventual representação criminal nos delitos que dependem dessa manifestação.

As informações correspondem ao registro policial e à análise realizada pela autoridade responsável nesta fase inicial do caso. A prisão em flagrante e os enquadramentos registrados não representam condenação, e o investigado terá direito à defesa no decorrer do processo.
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