Igreja Católica beatifica pela 1ª vez bebê que morreu na barriga da mãe, morta por esconder judeus na 2ª Guerra

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A Igreja Católica realiza neste domingo, 10, um evento verdadeiramente extraordinário ao beatificar toda uma família, incluindo um bebê não nascido, pela primeira vez na história. Os homenageados são os Ulma, uma família polonesa de fé católica que perdeu a vida durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) por abrigar judeus e desafiar os nazistas.

A cerimônia de beatificação acorre na pequena vila de Markova, localizada a aproximadamente 200 km de Cracóvia, contará com a presença do presidente Andrzej Duda, dezenas de ministros e políticos, além do alto clero do país, onde a esmagadora maioria da população se declara católica.

Em 24 de março de 1944, os Ulma foram brutalmente executados por soldados nazistas depois que sua ação de esconder oito judeus de duas famílias judaicas foi descoberta. O traidor que denunciou a família foi Wlodzimierz Les, um membro da Polícia Azul, a única força armada polonesa autorizada pelos nazistas na Polônia ocupada. As famílias judias Goldman e Szall também foram vítimas desse trágico massacre.

Em 1995, o Instituto Yad Vashem de Israel reconheceu Josef e Wictoria Ulma como "Justos entre as Nações". O processo de beatificação pela Igreja Católica teve início há 20 anos, em 2003, e finalmente culminou com o anúncio do Papa Francisco, em dezembro do ano passado, sobre a data da beatificação, que ocorre em meio à campanha eleitoral na Polônia.

A beatificação simultânea de toda a família Ulma é considerada um evento sem precedentes no processo moderno de canonização da Igreja Católica. Esta etapa é o último passo antes da santidade.

O Vaticano destacou que essa beatificação excepcional é um testemunho do sacrifício dos Ulma durante a Segunda Guerra Mundial, quando corajosamente abrigaram e protegeram oito judeus da perseguição nazista. Um detalhe comovente é que, quando Wictoria faleceu, ela estava grávida de sete meses. Algumas versões da história sugerem que o bebê já estava em processo de nascimento quando seu corpo foi encontrado em uma vala comum, indicando que ela começou a dar à luz durante a execução. Para honrar o nascituro, o Papa concedeu-lhe um "batismo de sangue", reconhecendo-o como digno do martírio.

A família Ulma já havia sido homenageada com a inauguração de um museu em 2016, que também presta tributo a outros poloneses católicos da região que tentaram salvar judeus durante o Holocausto, sendo que 116 deles perderam a vida. Um investimento significativo de 6 bilhões de zloty (equivalente a cerca de R$ 7 bilhões) foi destinado a esse projeto.

Os Ulma agora se tornaram patronos das ruas em toda a Polônia, e sua história é parte integrante dos livros didáticos do país. Além disso, o Parlamento polonês aprovou, em julho deste ano, uma lei que designa o ano de 2024 como o "Ano da Família Ulma", marcando 80 anos após a morte do casal e de seus filhos.

Com informações do O Globo

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