O Primeiro Comando da Capital (PCC) estaria utilizando uma rede de 251 postos de combustíveis para lavar dinheiro obtido em atividades criminosas. A informação é resultado de levantamento exclusivo do g1 com base na Operação Carbono Oculto, considerada a maior já realizada contra a facção.
Deflagrada em agosto, a operação mirou mais de 350 pessoas e empresas suspeitas de auxiliar o PCC a ocultar lucros ilícitos. Segundo decisão judicial que autorizou buscas e prisões, 15 alvos são sócios de postos em quatro estados: São Paulo (233 postos), Goiás (15), Paraná (2) e Minas Gerais (1).
Do total, 127 estabelecimentos são de bandeira branca, ou seja, não possuem vínculo com distribuidoras específicas. Os demais estão ligados às bandeiras Ipiranga (52), Rodoil (33), BR Petrobras (29) e Shell (12). Nenhuma das distribuidoras foi alvo da operação.
O que dizem as defesas
O g1 entrou em contato com as defesas dos 15 investigados e conseguiu falar com nove delas. Seis responderam e negaram irregularidades.
-
A defesa de L.F.V.S.Q.M. refutou qualquer ilegalidade e afirmou que seu nome consta na investigação por ter adquirido 23 postos de outra rede em 2022.
-
A defesa de T.M.B. negou ligação com o PCC, classificando as acusações como levianas e sustentando que todas as transações são lícitas.
-
A defesa de L.G.B.M.S. se manifestou apenas nos autos.
-
A defesa de R.G.P. informou que ele não opera postos, apenas investiu em imóveis de uma distribuidora, negando conhecimento de crimes.
-
A defesa de M.F.L. repudiou as acusações.
As defesas de P.F.G.N., G.S.O., B.S.A.P., R.R., A.H.A.M., L.E.F.M., H.A.M., L.P., V.B.J. e D.P.S.A. não foram localizadas ou não se manifestaram até a publicação.
As distribuidoras também comentaram o caso. Ipiranga e Vibra (Petrobras) afirmaram que não compactuam com ilegalidades e mantêm sistemas rigorosos de compliance. A Rodoil declarou que já havia identificado inconsistências e rescindido contratos com postos investigados. A Raízen (Shell) informou que apura as informações e adotará medidas cabíveis.
Relação dos investigados com os postos
Segundo a apuração:
-
P.F.G.N.: sócio de 56 postos, apontado como ligado a M.H.M., suposto chefe do esquema e considerado foragido.
-
L.F.V.S.Q.M.: sócio de 49 postos, descrito como “laranja”.
-
G.S.O.: citado como “testa de ferro”, sócio de 38 postos, com ligação à Rede Boxter.
-
B.S.A.P.: sócio de 38 postos, ligado a R.G.P.
-
R.R.: sócio de 16 postos, descrito como figura-chave do grupo de M.H.M.
-
A.H.A.M.: irmão de M.H.M., sócio de 15 postos.
-
L.E.F.M.: sócio de 13 postos.
-
H.A.M.: primo de M.H.M., sócio de 10 postos, apontado como um dos expoentes do grupo.
-
T.M.B.: sócio de 7 postos.
-
L.G.B.M.S.: sócia de 3 postos.
-
L.P.: sócia de 2 postos.
-
R.G.P.: sócio de um posto.
-
M.F.L.: sócia de um posto.
-
V.B.J.: sócio de um posto.
-
D.P.S.A.: sócia de um posto.
A ANP informou que as evidências poderão instruir processos administrativos que podem resultar na perda de autorização dos estabelecimentos. Já a Receita Federal mencionou que mais de mil postos teriam sido utilizados pelo PCC, mas não divulgou a lista.
Nota de esclarecimento
A D.P.S.A., controladora da rede de postos Alpha, e B.S.A.P. afirmaram, em nota, que não possuem vínculo, participação ou responsabilidade nos fatos investigados pela Operação Carbono Oculto.
A empresa declarou que:
-
Todos os postos operam com licenças e registros regulares junto às autoridades e distribuidoras;
-
Coopera integralmente com as autoridades sempre que requisitada;
-
Reafirma compromisso com a legalidade, transparência e boas práticas de mercado.
Todo o conteúdo publicado no site, incluindo textos, fotografias, vídeos, artes, logotipos e demais materiais jornalísticos, é protegido pela Lei de Direitos Autorais (Lei Federal nº 9.610/98).
É expressamente proibida a reprodução, cópia, distribuição, retransmissão ou utilização total ou parcial de qualquer conteúdo deste portal sem autorização prévia e formal do site Passando a Régua.
A utilização indevida de material protegido poderá resultar em responsabilização civil e criminal, conforme previsto na legislação brasileira.
O compartilhamento de links das matérias é permitido, desde que preservada a autoria e a integridade do conteúdo.



