Neste domingo,19, Javier Milei, renomado economista e representante do partido A Liberdade Avança, alcançou uma surpreendente vitória nas eleições presidenciais da Argentina. Com 97% das urnas apuradas, Milei assegurou 55,76% dos votos, superando Sergio Massa, ministro da Economia e candidato governista, que obteve 44,23% dos votos. Este resultado contrastou com as previsões que apontavam para uma disputa mais acirrada. Mais de 26 milhões de argentinos participaram das eleições, representando 76,3% do eleitorado total.
Massa reconheceu prontamente a vitória de Milei, destacando-o como "o presidente eleito pela maioria dos argentinos" em seu discurso para apoiadores. Até o momento, Milei ainda não fez pronunciamentos públicos após a vitória, mas assumirá a presidência em dezembro para um mandato de 4 anos.
Esta reviravolta no segundo turno é notável, pois Massa liderou a votação na primeira etapa da eleição. Milei, aos 52 anos, enfrentará um desafio considerável ao assumir o cargo, já que a Argentina enfrenta a pior crise econômica em décadas, com altos índices de inflação, uma grande parcela da população vivendo na pobreza e uma desvalorização significativa da moeda. Além disso, o país enfrenta uma dívida externa expressiva e uma escassez de reservas internacionais.
Durante sua campanha, Milei propôs medidas radicais para enfrentar esses problemas, incluindo a dolarização da economia argentina e o fim do Banco Central do país.
O novo presidente, conhecido por suas posições ultraliberais, apresenta-se como um nome externo à política tradicional, buscando combater o que descreve como a "casta política" argentina. Antes de ingressar na política, Milei trabalhou no setor privado e foi economista-chefe da Fundação Acordar, ligada ao peronista Daniel Scioli. Sua ascensão à fama entre o público argentino ocorreu por meio de aparições em programas de rádio e televisão.
Milei é frequentemente comparado por analistas políticos a figuras como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
Além de suas convicções políticas, a vida pessoal de Milei foi objeto de discussão durante a campanha, com a publicação de uma biografia não autorizada que explora sua conexão com o esoterismo após a morte de seu cachorro, Conan, em 2017. Milei afirmou ter clonado o animal e tentado se comunicar com ele após sua morte, além de alegar a capacidade de se comunicar com economistas falecidos.
Atualmente, Milei possui quatro cachorros da raça mastim inglês, todos pesando 90 quilos, com nomes que homenageiam economistas que ele admira: Murray, Milton, Robert e Lucas. O nome de Conan é uma referência ao filme "Conan, o Bárbaro", de 1982.
O partido de Milei, A Liberdade Avança, obteve um crescimento significativo nas eleições legislativas deste ano, passando de três deputados e nenhum senador para 38 deputados e oito senadores. Na nova legislatura, tornar-se-á a terceira maior bancada do Congresso, ficando atrás da coligação peronista de Sergio Massa e da coalizão de centro-direita representada por Patricia Bullrich.
Em conjunto, os partidos de oposição ao peronismo, incluindo Liberdade Avança e Juntos pela Mudança, detêm mais deputados do que a bancada do União pela Pátria.

O economista Javier Milei chega ao poder após vencer Massa no segundo turno — Foto: Natacha Pisarenko/AP
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