Eu era criança de tudo, mas o tempo não apagou da minha memória às vezes em que eu ia até a venda do Paixão, buscar café, moído na hora, pão e leite para minha mãe.
Eu esperava do lado fora do balcão, até que "Seu" Paixão me devolvia a "caderneta do fiado" com o café, o pão e o leite já anotados... A caderneta era uma espécie de documento de confiança na época.

Aos meus olhos infantis, o ambiente da venda era estranho... Um monte de gente conversando e bebendo, o cheiro forte do fumo de rolo rescendia até na calçada, além de um cavalo amarrado no tronco de uma árvore capenga.
A venda ficava na Domingos Perino, quase esquina da Barão do Rio Branco, pertinho do Sesi 144.
Da venda até minha casa era um pulinho, trezentos metros no máximo.
Num dia desses, estive em Ourinhos, passei em frente a antiga venda do Paixão, o prédio continua como a cinquenta anos atrás (foto acima), porém, as portas fechadas dava um ar de melancolia no local, não havia nenhum personagem daqueles tempos: nem o Paixão, nem os fregueses, o fumo de rolo, o cheiro do café moído na hora, muito menos o cavalo amarrado.
Eu e esta minha estranha mania de achar que o tempo nunca passará!
Confira outra história – clique aqui
Todo o conteúdo publicado no site, incluindo textos, fotografias, vídeos, artes, logotipos e demais materiais jornalísticos, é protegido pela Lei de Direitos Autorais (Lei Federal nº 9.610/98).
É expressamente proibida a reprodução, cópia, distribuição, retransmissão ou utilização total ou parcial de qualquer conteúdo deste portal sem autorização prévia e formal do site Passando a Régua.
A utilização indevida de material protegido poderá resultar em responsabilização civil e criminal, conforme previsto na legislação brasileira.
O compartilhamento de links das matérias é permitido, desde que preservada a autoria e a integridade do conteúdo.



