José, meu pai, quase toda a vida foi carpinteiro, e dos bons... sempre muito requisitado, era do tipo de prestador de serviço fiel, sua fidelidade o permitia escolher para quem trabalhar, entre servir um estranho e um cliente contumaz ele, obviamente, escolhia o "freguês"!
Num período muito chuvoso, pouco serviço e sem dinheiro, ele apavorado, decidiu pedir um adiantamento para um de seus fregueses: um senhor de nome Guerino, tinha um sítio longe toda vida, lá pelos lados da Guaraiuva.

Bem madrugadinha, no dia seguinte, me pediu para ir com ele até lá, a pé... meio a contragosto, levantei-me e obedeci, pela linha férrea seguimos para o sítio do tal.
Chegamos no sítio lá pelas nove da manhã, nos atendeu Dona Zuca:
- O Guerino foi pra Salto Grande, saiu cedo, só volta depois do almoço, seu José... o que o senhor precisa?
- Queria ver se ele me arranjava uns dois mil cruzeiros!
- Quando ele chegar eu falo pra ele.
- Obrigado, Dona Zuca... vamos voltar, fica com Deus!
- Não, não... vocês devem estar com fome, vou colocar um virado pra vocês!
Aquela senhora adivinhou... eu estava morrendo de fome... nunca comi uma comida tão gostosa: carne de porco virado na farinha, limonada e ovos fritos (ovos caipira, aqueles da gema cor de abóbora).

Pelo tanto que comeu penso que meu pai estava mais faminto que eu!
Despedimos e voltamos pela linha do trem, um sol de rachar, mas, com a barriga cheia, ficou mais fácil!
Apesar de tudo eu sentia meu pai ainda preocupado, penso que ele estava frustrado por não ter conseguido o dinheiro!
Chegamos na Vila Perino lá pelas três da tarde, começamos descer a Barão do Rio Branco, onde morávamos, uma pressa de chegar logo em casa, tomar uma água e descansar!
Ao chegar em casa a surpresa, seu Guerino esperava meu pai, dentro de uma camionete Chevrolet antiga, carroceria de madeira!

- Seu José, a Zuca disse que o senhor esteve em casa, trouxe o dinheiro que o senhor precisa... semana que vem vou comprar madeira para fazer mais um paiol, queria que o senhor fizesse, depois a gente acerta a diferença!
Foi assim, direto e objetivo, sem rodeios... meu pai aceitou a proposta na hora!
Não falei sobre andar a pé ou carpintaria, é sobre confiança, respeito e solidariedade!
Ponto para Seu Guerino, Dona Zuca e para meu pai, José!
Num período muito chuvoso, pouco serviço e sem dinheiro, ele apavorado, decidiu pedir um adiantamento para um de seus fregueses: um senhor de nome Guerino, tinha um sítio longe toda vida, lá pelos lados da Guaraiuva.

Bem madrugadinha, no dia seguinte, me pediu para ir com ele até lá, a pé... meio a contragosto, levantei-me e obedeci, pela linha férrea seguimos para o sítio do tal.
Chegamos no sítio lá pelas nove da manhã, nos atendeu Dona Zuca:
- O Guerino foi pra Salto Grande, saiu cedo, só volta depois do almoço, seu José... o que o senhor precisa?
- Queria ver se ele me arranjava uns dois mil cruzeiros!
- Quando ele chegar eu falo pra ele.
- Obrigado, Dona Zuca... vamos voltar, fica com Deus!
- Não, não... vocês devem estar com fome, vou colocar um virado pra vocês!
Aquela senhora adivinhou... eu estava morrendo de fome... nunca comi uma comida tão gostosa: carne de porco virado na farinha, limonada e ovos fritos (ovos caipira, aqueles da gema cor de abóbora).

Pelo tanto que comeu penso que meu pai estava mais faminto que eu!
Despedimos e voltamos pela linha do trem, um sol de rachar, mas, com a barriga cheia, ficou mais fácil!
Apesar de tudo eu sentia meu pai ainda preocupado, penso que ele estava frustrado por não ter conseguido o dinheiro!
Chegamos na Vila Perino lá pelas três da tarde, começamos descer a Barão do Rio Branco, onde morávamos, uma pressa de chegar logo em casa, tomar uma água e descansar!
Ao chegar em casa a surpresa, seu Guerino esperava meu pai, dentro de uma camionete Chevrolet antiga, carroceria de madeira!

- Seu José, a Zuca disse que o senhor esteve em casa, trouxe o dinheiro que o senhor precisa... semana que vem vou comprar madeira para fazer mais um paiol, queria que o senhor fizesse, depois a gente acerta a diferença!
Foi assim, direto e objetivo, sem rodeios... meu pai aceitou a proposta na hora!
Não falei sobre andar a pé ou carpintaria, é sobre confiança, respeito e solidariedade!
Ponto para Seu Guerino, Dona Zuca e para meu pai, José!





