Embarquei na rodoviária de São Paulo num ônibus da Manuel Rodrigues, às 4 da tarde... Estava voltando de vez pra Ourinhos, dois anos em São Paulo foram suficientes pra perceber que minha alma não acompanhou meu corpo nessa aventura paulistana, uma cidade antipática, de luar sombrio e estranhas vozes.
Eu estava serralheiro, no Mappin, ganhava um bom dinheiro, mas a qualidade de vida: uma tragédia.
Minha volta tinha outros motivos: eu precisava saber como estavam meus pais, era hora de fazer um curso superior de qualidade.
Cheguei no sítio, onde estavam meus velhos, lá pelas dez da noite, um frio de rachar... Bati na porta, meu pai, entre tosses, perguntou:
- Quem tá aí?
- É o Marreco! Respondi.
Ele não gostava de chamar filho pelo apelido e retrucou:
- É o João?
- Sim, sou eu!
Me abriu a porta e me abraçou com alardeada alegria, percebi meu pai abatido.
Entrei, minha mãe também levantou... Me abraçou e queria fazer café, mas não tinha açúcar... Acabei tomando um café requentado.
Notei uma velha bacia de alumínio com esterco de vaca fazendo fumaça... Meu pai disse que era pra espantar os pernilongos.
Enquanto tomava o café notei os armários vazios, uma chaleira com água sobre a mesa.
Naquela noite não dormi, pensando na miséria dos dois, sozinhos ali e bem velhinhos.
De manhã falei pro meu pai que eu ia arrumar uma casa pra gente morar em Ourinhos.
Na semana seguinte eu já estava trabalhando com um antigo patrão que, além do emprego, me disponibilizou uma casa pra que eu levasse meus pais...Percebi que teria que trabalhar dia e noite para cuidar deles... Meu curso superior estava mais uma vez adiado, penso que ainda teria tempo, eu só tinha 22 anos... Meu dever, naquele instante, era cuidar dos meus pais!
Bem, 44 anos depois, a faculdade ead me informa que minha colação de grau será dia 12 de dezembro!
Putz... com 66 anos, como diria Martinho da Vila, enfim consegui "meu canudo de papel"!
Pra mim uma questão de honra e orgulho, estou me sentindo extremamente feliz, e se servir de inspiração para os mais jovens, ficarei absolutamente radiante!
Nunca é tarde!
Eu estava serralheiro, no Mappin, ganhava um bom dinheiro, mas a qualidade de vida: uma tragédia.
Minha volta tinha outros motivos: eu precisava saber como estavam meus pais, era hora de fazer um curso superior de qualidade.
Cheguei no sítio, onde estavam meus velhos, lá pelas dez da noite, um frio de rachar... Bati na porta, meu pai, entre tosses, perguntou:
- Quem tá aí?
- É o Marreco! Respondi.
Ele não gostava de chamar filho pelo apelido e retrucou:
- É o João?
- Sim, sou eu!
Me abriu a porta e me abraçou com alardeada alegria, percebi meu pai abatido.
Entrei, minha mãe também levantou... Me abraçou e queria fazer café, mas não tinha açúcar... Acabei tomando um café requentado.
Notei uma velha bacia de alumínio com esterco de vaca fazendo fumaça... Meu pai disse que era pra espantar os pernilongos.
Enquanto tomava o café notei os armários vazios, uma chaleira com água sobre a mesa.
Naquela noite não dormi, pensando na miséria dos dois, sozinhos ali e bem velhinhos.
De manhã falei pro meu pai que eu ia arrumar uma casa pra gente morar em Ourinhos.
Na semana seguinte eu já estava trabalhando com um antigo patrão que, além do emprego, me disponibilizou uma casa pra que eu levasse meus pais...Percebi que teria que trabalhar dia e noite para cuidar deles... Meu curso superior estava mais uma vez adiado, penso que ainda teria tempo, eu só tinha 22 anos... Meu dever, naquele instante, era cuidar dos meus pais!
Bem, 44 anos depois, a faculdade ead me informa que minha colação de grau será dia 12 de dezembro!
Putz... com 66 anos, como diria Martinho da Vila, enfim consegui "meu canudo de papel"!
Pra mim uma questão de honra e orgulho, estou me sentindo extremamente feliz, e se servir de inspiração para os mais jovens, ficarei absolutamente radiante!
Nunca é tarde!
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