João Neto: Não é sobre cinema!

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Há cerca de dois anos, estive no antigo Cine Ourinhos, hoje honrosamente batizado "Teatro Municipal Miguel Cury", fui assistir ao show cover do "Abba" e "Bee Gees" ou "Bidiz" para nós caipiras. 

Porém, não vou falar do show, propriamente dito, aliás, saudosista que sou, fiquei absolutamente encantado com as apresentações, o que pode não ser a avaliação mais correta.

Vou falar do Teatro, peço licença, se me permitem, falar do Cine Ourinhos, onde adentrei, pela última vez, em 1976, para assistir o filme "O Destino de Poseidon", com Gene Hackman e Ernest Borgnine.

Confesso que, quando o porteiro validou nosso ticket (que no meu tempo era a chamada "entrada") parece que voltei aos meus dezesseis anos, reencontrei minha alma ainda estava pairando no ambiente... Pronto, eu acabara de entrar na cápsula do tempo!

O ambiente tinha o mesmo cheiro de 50 anos atrás, tiraram as cadeiras de madeira rangentes e instalaram confortáveis poltronas estofadas... No lugar do telão um superequipado palco, de ampla visão, cheio de contrastes e luzes estroboscópicas.

Como minha alma já havia deixado meu corpo, imaginei minha "turma" rodando no entorno das cadeiras - nós, os meninos, em sentido horário enquanto as meninas em sentido contrário, a tal paquera explícita...  o tema daqueles momentos era o inesquecível: "The Theme From A Summer Place" de Percy Faith e Orquestra!

Esperávamos ansiosos que o lanterninha, Fefeu, apagasse as luzes para o início da sessão: os trailers dos filmes da semana e o imperdível Canal 100, ah... quanta memória!

Enquanto o show "rolava" eu estava perdido nos meus pensamentos, peito apertado, coração batendo falho... Lembrava das trocas de gibis, das balas de café, dos amigos que não estavam mais ali.

Voltei a mim quando a Banda cantava "Fernando": "...We were young and full of life" - no nosso português: "Nós éramos jovens e cheios de vida!".

Quanta emoção eu senti, quantas lembranças gostosas, de um tempo que parece que foi ontem... Ainda bem que a música e o "escurinho do cinema" disfarçaram meu choro.

Ah, só vi gente de cabelo branco, talvez por isto eu não tenha reconhecido ninguém,  exatamente o mesmo detalhe de não terem me reconhecido também.
 
Com tudo isto, e por tudo isto, posso dizer:
Ah, Cine Ourinhos, eu não sabia que te amava tanto!


(João Neto já havia falado sobre o tema)