João Neto: Pudim de Natal...

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No outro dia, depois do Natal, acordei junto com o sol... Era um sol de arrebentar mamona, diria meu avô!
A cantora Simone já tinha cessado a cantoria: "Então é Natal..."

Decidi pegar minha caixa e esperar na esquina da Matriz com o Cine Pedutti... Na saída da missa muito senhores engraxariam seus sapatos, imaginei! Do lado de fora acompanhei toda homilia!

Acontece que, antes do Padre Felipe rezar o terço natalino e encerrar a celebração, começou uma garoa fina que refrescou o dia.
E todos foram embora, sem me notar, eu discretamente sentado na minha caixa, ao lado de um coqueiro verde.

Coloquei a caixa no ombro e ganhei o caminho de casa, me sentindo um lixo, aliás minha real condição social naqueles tempos... Não engraxei nada, os mais antigos diriam: "não fez nem pro cigarro"!

Apressei o passo pois a garoa virou chuva!

Ao dobrar a esquina de casa, Dona Ondina, que da área de sua casa, olhava a chuva cair mansa, me acena da porta da sala e grita:
- Corre senão você vai ficar resfriado, Marreco!
- Pode deixar, Dona Ondina!

Cheguei todo molhado, tossindo e sem dinheiro, mas nem liguei, tinha sobrado pudim do Natal!

Feliz Ano Novo!