João Neto: Resposta ao Tempo

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Sempre que ia ao centro da cidade, ao banco, comprar linha de crochê na “Janda” ou comprar remédios na farmácia do "Seu" Mário, eu subia pela Dom José Marello, era obrigatório fazer o sinal da cruz quando cruzava a igreja do seminário, minha mãe dizia que era pecado mortal não fazer o sinal da cruz e dizer em silêncio:
"Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém!"

Naquele tempo a igreja do seminário era azul celeste. Aquela coloração conferia ao templo uma sensação de paz.
Nossa, quantas pessoas conhecidas, a grande maioria hoje em outra dimensão, frequentou a igreja comigo: incluindo papai e mamãe!

Hoje, revendo a foto da igreja no Google Maps, um lampejo de saudade remeteu-me, sem dó, àquele tempo... Por um instante parece que estou ainda ali, menino.

A Vila Perino era uma espécie de "aldeia encantada", onde o sol iluminava todas as almas viventes, ou não.

Lembranças... lembranças: doce ternura, os passos na calçada, o repicar de sinos e o coração sereno.

Tenho a nítida impressão de que o tempo, debochado, estacionou por aqui e ficou a rir de mim!

Sinto falta daquela gente acolhedora, que conhecia a fórmula exata de nos fazer sentir bem.

Recordações, simplesmente!

Me faz falta o sol daquelas manhãs de domingo, claras de fé e espiritualidade, luzindo a escadaria de entrada da igreja.

Das quermesses deliciosas, sorrisos espalhados ao redor de mesas fartas em solidariedade, o objetivo era ajudar, nada mais!

Ah! Esta minha igreja hoje está amarela, esta minha Vila Perino está azul. Um pedaço dessa Ourinhos tão linda, que merece ser mostrada e louvada...Ainda que pareça ufanismo de minha parte.

É meu jeito quase estabanado de guardar meus tesouros, no fundo do coração.

Perdoem minha cafonice, o esquecimento consumiu alguns lances inesquecíveis e, opositor à crueldade do tempo, neste instante dedilho as letras do teclado, assim, emotivo e chorão.

Ah! Deixa quieto...