João Neto: Resquícios de felicidades!

Compartilhe:
Nosso velho paiol ainda está de pé, em outros tempos guardou utilidades - a cada verão abrigava a tímida produção de milho, armazenou o resultado do trabalho de toda família, por uma vida toda.

Foram intermináveis dias de labuta, suor e preocupação...  As mãos calejadas na lavoura e na lida, é a mesma que ia na missa aos domingos e dedilhava as contas do terço com suavidade, pedindo à Mãezinha do Céu, que rogasse por nós, todos pecadores.

O paiol era apenas um elemento naquele cenário abençoado e extremamente feliz!

Nossos animais, todos, tinham nome: a égua Neblina, o burro Teimoso, o porco Salmão e a galinha Princesa... sinal da nossa relação harmoniosa com todos os animais "da família".



Alguém pode até achar que a simplicidade na qual vivíamos fosse sinal de pobreza, não e não, afinal, Deus morava em nossa casa.

Hoje, revendo o velho paiol, me vem a cabeça o quanto fomos felizes neste lugar, as tarefas compartilhadas, os momentos de lazer - até as missas de domingo era um evento grandioso! Posso afirmar que aqui era nosso lugar no mundo, nosso reino encantado.

As folhas secas caídas no chão vermelho, são as mesmas de cinquenta e tantos anos atrás...

O paiol está triste, se desintegrando, quase caindo... Talvez não resista ao próximo vendaval... mas quem se importa, se até o sol se apagou por aqui?