João Neto: Resquícios do meu passado!

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"-João, por que você tanto escreve sobre um mundo que não existe mais, um mundo ultrapassado, analógico e empoeirado?".

Foi um questionamento que recebi de um leitor, sem maldade, entendi como uma curiosidade sincera do leitor!

- Pois é, Cláudio...

Na verdade, falo da melhor fase da minha vida, minha infância e adolescência, na Ourinhos de antigamente, anos 70, onde o tempo passava devagar, tempo em que até nossos vizinhos eram quase da família, não havia um distanciamento social discrepante, éramos todos do mesmo nível, compartilhávamos da mesma carência de pão.

Penso que seja este o motivo das minhas constantes revisitas ao passado, meu amigo!



Sempre lembro da minha escola, dos amigos, das professoras e do céu azul daquele tempo, tempo onde nas noites de lua a gente caçava vaga-lumes para tentarmos descobrir onde estavam instaladas sua graciosas luzes de led.




Você se surpreende com o que eu escrevo, é que você não viu os objetos que ainda guardo do meu tempo dourado: uma sonata, várias máquinas de escrever, lampiões, lamparinas, meu primeiro rádio relógio, etc.. Sem esquecer os documentos escolares, desde o diploma do primário até o certificado de aprovação do "vestibular" de Admissão!




No fundo você está certo, acho que ainda não saí dos anos 70: "Eu devia estar feliz por que consegui comprar um Corcel 73...".

Sim, Cláudio - eu consegui comprar um Corcel... mas não me queira mal, pois sou assim mesmo,  meio retrô, penso que sou um jogador daqueles videogames antigos que ainda não passou de fase.

Abração, meu caro!
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