Apesar das dificuldades, havia em nossa casa, respeito, organização, hierarquia, além da disciplina.
Sabíamos, também, das dificuldades para a compra dos alimentos diários.
A duas irmãs mais novas, tinham a incumbência de ajudar na limpeza da casa e fazer o almoço... Enquanto faziam faxina, o rádio, em volume considerável, sobre a prateleira da cozinha, falava do horóscopo do dia, além dos sucessos populares da época:
"Receba as flores que lhe dou, em cada flor um beijo meu, são flores lindas que te dou, rosas vermelhas com amor, amor que por você nasceu..."
Vixi, as duas chegavam chorar de tanta sofrência, já não bastasse as dificuldades monetárias da família.
Como de costume a Dorinha ficou incumbida de fazer um bule de café e a Regina faria o arroz para o almoço. A Dorinha colocou no fogo a água adoçada para fazer um café, esperando ferver para passá-la no coador de pano, enquanto isso foi varrer a varanda. A Regina, após arrumar os quartos, veio refogar o arroz. Desatenta, percebe uma caneca com água fervendo na outra boca do fogão e a despeja dentro da panela com o arroz.
Dá para imaginar o que aconteceu?
Ao ver que a água doce foi utilizada no arroz a Dorinha começa a chorar compulsivamente, a Regina do outro lado chorava junto.
Nós mais novos, também abrimos nosso choro, mas, um choro contido e silencioso! Minha mãe entrou correndo, também desesperada, tentando salvar a refeição do dia. Tudo perdido - nem café, nem arroz!
Ainda fizeram uma tríplice lavagem para tirar o doce do arroz, nem deu! Minha mãe dobrou o sal e o temperou, outra tentativa frustrada, ficou com um gosto insuportável!
Naquele dia pensei que minhas irmãs morreriam de tanto apanhar, mas mamãe - sempre justa, sequer ergueu um dedo para puni-las. Diante daquele fato percebi o quanto minha mãe era justa.
Hoje, nas raras reuniões familiares, a gente lembra daquilo com alardeado bom humor – a miséria ficou pra trás – a fome ficou pra trás e, eu, se chorei já me esqueci!
Sabíamos, também, das dificuldades para a compra dos alimentos diários.
A duas irmãs mais novas, tinham a incumbência de ajudar na limpeza da casa e fazer o almoço... Enquanto faziam faxina, o rádio, em volume considerável, sobre a prateleira da cozinha, falava do horóscopo do dia, além dos sucessos populares da época:
"Receba as flores que lhe dou, em cada flor um beijo meu, são flores lindas que te dou, rosas vermelhas com amor, amor que por você nasceu..."
Vixi, as duas chegavam chorar de tanta sofrência, já não bastasse as dificuldades monetárias da família.
Como de costume a Dorinha ficou incumbida de fazer um bule de café e a Regina faria o arroz para o almoço. A Dorinha colocou no fogo a água adoçada para fazer um café, esperando ferver para passá-la no coador de pano, enquanto isso foi varrer a varanda. A Regina, após arrumar os quartos, veio refogar o arroz. Desatenta, percebe uma caneca com água fervendo na outra boca do fogão e a despeja dentro da panela com o arroz.
Dá para imaginar o que aconteceu?
Ao ver que a água doce foi utilizada no arroz a Dorinha começa a chorar compulsivamente, a Regina do outro lado chorava junto.
Nós mais novos, também abrimos nosso choro, mas, um choro contido e silencioso! Minha mãe entrou correndo, também desesperada, tentando salvar a refeição do dia. Tudo perdido - nem café, nem arroz!
Ainda fizeram uma tríplice lavagem para tirar o doce do arroz, nem deu! Minha mãe dobrou o sal e o temperou, outra tentativa frustrada, ficou com um gosto insuportável!
Naquele dia pensei que minhas irmãs morreriam de tanto apanhar, mas mamãe - sempre justa, sequer ergueu um dedo para puni-las. Diante daquele fato percebi o quanto minha mãe era justa.
Hoje, nas raras reuniões familiares, a gente lembra daquilo com alardeado bom humor – a miséria ficou pra trás – a fome ficou pra trás e, eu, se chorei já me esqueci!
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