Nesta quinta-feira, 25, a nossa eterna joia do basquete feminino de Ourinhos, multicampeã, Ana Flávia Sackis fez mais um ano de vida. “Aninha” nasceu em Ourinhos, em 1983 e ganhou tudo no basquete, atuando na seleção brasileira e em diversas equipes no Brasil e até na Itália, onde viveu.
Nesta quinta-feira, 25, ela foi abraçada pelas companheiras de time, durante o treino. Neste final de semana o time pode se sagrar campeão dos Jogos Regionais em Marília (SP).

A armadora está de volta ao basquete ourinhense, depois de muita insistência da diretora do time, Beth Bressanin. Aninha bateu um papo com o Passando a Régua e falou um pouco sobre esse retorno, respondendo algumas questões. Confira:
Passando a Régua: Como surgiu em você essa paixão pelo basquete?
Ana Flávia: A paixão pelo basquete surgiu com 8 anos. Minha irmã Christiane jogava pela escola “Racanello” e eu ia aos treinos dela assistir. Fui pegando gosto pelo esporte e no início arremessava bolinhas de plástico nos intervalos dos treinos dela e em casa usava baldes e bacias pendurados na parede. Cada arremesso certo eu tinha que tirar o balde da parede pra pegar a bola. Foi assim que começou.

Aninha em 1997 (Foto: Arquivo Pessoal)
Passando a Régua: Ser considerada uma atleta baixa, com 1,69m, para os padrões do basquete, isso foi um empecilho ou te ajudou a ser mais habilidosa?
Ana Flávia: A pouca altura nunca foi um problema não. Porém exigiu sempre um pouco a mais de treinamento pra conseguir fazer um arremesso rápido, fazer uma bandeja no meio das maiores, e sim, isso ajudou muito em ter habilidade”.

Aninha fez parte do maior time da história do basquete brasileiro (Foto: Arquivo Pessoal)
Passando a Régua: Você teve uma grave lesão no joelho. Isso encurtou a sua carreira? Você acredita que poderia ter jogado mais anos profissionalmente? E como é agora retornar ao basquete de Ourinhos?
Ana Flávia: A lesão foi grave sim. Rompi o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo. Na época jogava em Marília, com o Vendramini (Antônio Carlos Vendramini, técnico de basquete) e foi no primeiro jogo do brasileiro contra Catanduva (lá em Catanduva).
Mas o que encurtou minha carreira não foi isso, apesar de ter tido uma recuperação difícil, dolorosa e que durou um ano, o que encurtou foi a desonestidade de alguns diretores e dirigentes que tive que enfrentar durante a carreira. Isso foi me desanimando até que resolvi pendurar os tênis.
E a retomada foi depois de muita insistência da Beth que se aliou com minha sócia e amiga Alessandra (risos), depois de muitos meses de conversa resolvi dar uma chance ao basquete e a mim novamente. Uma frase usada pela Beth foi: "você merece encerrar a carreira de uma forma bonita e valorizada, e não como foi".
Resolvi aceitar também pra dar mais esse gostinho para minha mãe Dirce, que sempre me acompanhou, e que na época ficou bem triste pela forma e motivos que me fizeram parar.
Eu sabendo de tudo que passei e conquistei no basquete, peguei essa frase da Beth pra mim e resolvi tentar.

Aninha e Beth Bressanin, a responsável pela volta da armadora ao time de Ourinhos (Foto: Laperuta)
Passando a Régua: Na época do profissional, você conseguiu fazer o seu "pé de meia"? Ou o basquete sempre pagou pouco, até na melhor fase?
Ana Flávia: Não fiz pé de meia não. Nunca tive um salário que merecesse, pelo tanto que eu treinava e ajudava a equipe, mas nunca fui “dinheirista”, nos 22 anos que joguei profissionalmente, foi por isso que a carreira durou tanto tempo.
Gastava bastante também. Fiz escolhas erradas, admito, mas graças a Deus hoje estou curada (risos). É assim que brinco com minhas amigas, apesar disso não tenho do que reclamar. Deus colocou pessoas maravilhosas na minha vida, que estão me fazendo enxergar o que é ter uma vida de verdade. Gratidão é a palavra que define minha vida hoje.

A jogadora guarda lebranças por onde passou (Foto: Arquivo Pessoal)
Passando a Régua: Você se dedicou quase que 100% ao basquete. Valeu a pena?
Ana Flávia: Valeu a pena sim. Era 500% de dedicação. Não me arrependo. Valeu muito a pena lá atrás, como está valendo a retomada hoje também.

De volta ao time de Ourinhos em 2022 (Foto: Laperuta)
Passando a Régua: Hoje o que você faz para se manter? E quais são os seus planos para o futuro?
Ana Flávia: Hoje tenho uma empresa de decoração, corte a laser, presentes criativos, junto com minha sócia, amiga e psicóloga (risos), Alessandra Marcante. Graças a Deus está dando muito certo.
Os planos para o futuro são expandir a empresa, liberdade financeira, saúde para minha mãe, minha família e amigos. Além de ajudar a nossa equipe a levar o nome de Ourinhos novamente ao lugar mais alto no basquete feminino e principalmente ter o reconhecimento que a equipe merece. Todas trabalham, algumas tem filhos, marido e se esforçam muito pra conseguirem treinar todos os dias propostos.
O que nós precisamos é de reconhecimento e respeito. Isso é o mínimo que merecemos pela história que Ourinhos tem no basquete e mais ainda pela luta diária de cada um, atletas, comissão técnica, diretoria, todos da associação, apoiadores e patrocinadores.
O slogan da equipe não poderia ser diferente...
"Recomeço não é um lugar novo, é uma nova mentalidade."
Agradeço a Beth, as meninas, a comissão, patrocinadores, amigos e minha família pela confiança em mim.
Minha intenção é somente ajudar todas as meninas e a equipe de alguma forma.
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Ana Flávia Sackis
Clubes que atuou
- São João Jundiaí (SP)
- Bauru Comegnio Bauru (SP)
- Dom Bosco Campo Grande (MS)
- Unimar/Marília – Marília (SP)
- Germano Zama - Faenza Itália
- Unimed Americana – Americana (SP)
- Unimed/UniFio/Castor – Ourinhos (SP)



PRINCIPAIS CONQUISTAS
- Bi Campeã Paulista (Ourinhos)
- Tri Campeã Brasileira (Ourinhos)
- Vice campeã Brasileira (Americana)
- Vice Campeã da Super Copa da Itália (Faenza - Itália)
- Vice Campeã da Copa Itália (Faenza-Itália)
- CAMPEONATO MUNDIAL JUVENIL REP. TCHECA 2001 7º LUGAR (SELEÇÃO BRASILEIRA)
- VICE CAMPEÃ COPA AMÉRICA PRÉ-MUNDIAL SUB. 20 BRASIL 2002
- 3º LUGAR (SELEÇÃO BRASILEIRA)
- VICE CAMPEÃ MUNDIAL SUB. 21 CROÁCIA 2003 (SELEÇÃO BRASILEIRA)




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